Clube da Venda Nova: Ele não pode apresentar-se em Bruxelas com um fato qualquer!
O Nelson Fiel é o candidato anunciado pela CDU, coligação de comunistas e verdes, também conhecidos por melancias - por serem verdes por fora e vermelhos por dentro. A sua candidatura foi ratificada em cerimónia cativante, perante dezenas de pessoas com discursos apologéticos e laudatórios, glorificando-o: «O nosso representante – disse, com entusiasmo, o Balreira da Foice - é um capitão de Abril, mas também é de Maio, Junho, Julho e por aí adiante. Já conduziu fragatas, corvetas, submarinos, contratorpedeiros, canhoneiras e até chatas da pateira. É o verdadeiro homem do leme, para levar este barco a bom porto». «Mas qual barco?», perguntou o António Manuel do Talho. «Barco não é mais do que uma alegoria, que significa o concelho, que tem água por todo o lado», respondeu, titubeante, o Balreira e deu a palavra ao candidato, que se levantou, apertou o casaco azul de marinheiro, novo, de bom corte, com botões reluzentes e uma âncora em relevo, que assentava numa calça branca, vincada, de linho escocês, e falou: «Águeda tem perdido peso no panorama nacional. Os partidos que povoaram o Clube, e que são sempre os mesmos, sendo a alternância meramente virtual, nada fizeram. Nem a boca do canhão da rotunda endireitaram. O Clube está de costas voltadas para o povo, que devia ser incentivado a viver em associações comunais e comunitárias, onde a juventude praticasse desporto e outras actividades, em vez de andar dispersa. Pensamos, se formos eleitos, em disponibilizar o próprio salão nobre do Clube para uma grande discoteca, como pólo aglutinador dessa mesma juventude». Levantou-se o Manuel Tampos, de Espinhel, que estava a assistir e, mostrando espanto, exclamou: «Isso é de um grande arrojo, mas talvez não esteja mal pensado. Embora não tenha grande valor, a assembleia do Clube sempre tem que reunir... se estiverem lá a dançar, com aquela barulheira e o carrossel de luzes, como é que se faz?». «Não me parece que seja de grande importância», respondeu o Nelson Fiel, acrescentando: «Se conseguirmos lá ter assento, depois pensarei nisso!».
*** * *** O Mar e Sal, o Silva dos Farolins, o Abel Coradinho e o José Carlos Flippers ficaram vezados, voltaram ao Gambrino da Alta Vila e reataram a conversa que demos conta na semana passada, sobre o possível apoio do Mar e Sal à candidatura do Silva dos Farolins, na lista independente para que fora convidado. A certo momento aconteceu: «É verdade, nós quase que nunca fizemos mal um ao outro», disse o Silva que, levantando- -se de rompante e com entusiasmo, virou-se para o Mar e Sal, que estava a seu lado, ainda sentado e, num gesto largo, quis abraçá-lo. Mas, com o calor da intenção, deu com as costas da mão num copo cheio de “Cabeça de Burro”, que voou e foi entornar-se na camisa e nas calças do Mar e Sal. «Desculpe…», disse, embaraçado e aflito, o Silva dos Farolins, ao mesmo tempo que o limpava com um guardanapo. “Acredite que não fiz por mal...». O Zé Carlos Flippers ia tirando fotografias, ao mesmo tempo que dizia: «Dizem que virar um copo de vinho é alegria e este só não é mal empregado, porque selou uma amizade que estava latente e agora se mostrou!». Tudo serenou, acabou o embaraço, continuaram a comer a cabeça da pescada e o Abel Coradinho informou: «Por falar em eleições, tenho a dizer-vos, com muito jubilo, que o Aurélio Olh’ó Aterro, que é do meu lado, foi designado como candidato às Europeias. Chegou ontem de Paris com duas malas de roupa da Rua Saint Honnoré, com dois fatos da Coco Chanel, dois de Pierre Cardin, umas gravatas Hermé, etc…». «Claro…», disse o Mar e Sal. «Ele não pode apresentar-se em Bruxelas com um fato qualquer e até me disseram que anda a melhorar o Inglês na Independente!
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