Águeda numa encruzilhada
A adivinhar pelas últimas notícias sobre as eleições autárquicas para o concelho de Águeda, não são animadoras as perspectivas de um debate político, sereno e esclarecedor, sobre os problemas actuais da população e a sua envolvência na definição das linhas com que se deve coser o desenvolvimento da região nos próximos anos. Diz o PSD local, pela voz do presidente da sua comissão política, Parada Figueira, que uma sondagem recente indicava Castro Azevedo como o candidato para o regresso do partido laranja à Câmara, razão pela qual os militantes da Secção reunidos em plenário, o iriam apoiar. Em resposta, o líder local dos socialistas e membro da Assembleia Municipal de Águeda, José Carlos Vidal, não se coibiu de afirmar à imprensa que o regresso de Castro Azevedo significa "o regresso das trafulhices, condenações e é uma brincadeira". A política local está assim, e de novo, fulanizada. A Universidade de Aveiro e o seu gabinete de planeamento que tratem do plano Estratégico para Águeda, a Associação de Municípios do Carvoeiro e o seu presidente (João Agostinho) que decida quando quer concluir os estudos da barragem da Redonda, a Comunidade Inter-Municipal de Aveiro/Baixo Vouga que continue com o seu líder (Ribau Esteves) a puxar a brasa dos fundos comunitários (QREN) para o litoral aveirense. E as empresas - as centenas de empresas do concelho - que resolvam a crise, que os líderes autárquicos locais não tem tempo para uma análise da situação e uma palavra pública de apoio e incentivo. Fica-se, assim, com a sensação que a política local se está a alhear perigosamente das suas obrigações e a levar Águeda para uma encruzilhada. Uma encruzilhada eleitoral feita de sectarismo, que ressuscitará velhas vaidades, num agonizar da alma concelhia e de um poder local que renuncia às promessas da democracia. Não é, Beatriz? n JNS
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