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A extinção da 3ª. divisão nacional de futebol

por Jacinto Martins em Fevereiro 10,2009

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A extinção, pura e simples, do campeonato nacional da 3ª.  divisão, a partir da época desportiva 2010/11, que resultou da assembleia geral da Federação Portuguesa de Futebol realizada no dia 31 de Janeiro, promete forte polémica, face a um conjunto de dúvidas que se levantaram, ainda com os representantes das entidades que participaram na reunião, presentes nas instalações federativas.

A ordem de trabalhos da AG federativa  contemplava duas propostas, saídas de estudos elaborados pelo grupo de trabalho constituído para reformular os campeonatos não profissionais.
Basicamente, passavam por uma competição intermédia, que seria designada de 3ª. divisão pró-nacional, a que teriam acesso os campeões distritais de cada época, cujas provas teriam de estar concluídas até final de Março, seguindo-se uma outra fase em que subiriam 9 ou 12 clubes (consoante fosse aprovada a proposta A ou a B, apresentada pelo grupo de trabalho).

Acesso directo
à 2ª. divisão


A Associação de Futebol do Algarve, porém, apresentou uma proposta que acaba pura e simplesmente com a 3ª.divisão nacional, subindo directamente os 18 campeões distritais do continente e os da Madeira e Açores, à 2ª Divisão, ou seja, não haverá a tal 3ª. Divisão Pró-Nacional.
 Ora, aqui é que começa a grande confusão, não se percebendo como é que pôde ser votada e aprovada (312 votos a favor, 123 contra e 60 abstenções) uma proposta que não fazia parte da ordem de trabalhos da convocatória e que nenhum dos presentes conhecia, a não ser os dirigentes algarvios.

4 séries e 64 clubes

Aparentemente, há todas as condições para que as deliberações possam vir a ser impugnadas e, decerto, tal irá acontecer.
A confusão foi tal que vão ser ouvidas as gravações da reunião, porque, segundo uma fonte a que a Soberania dos Desportos teve acesso, «não se sabe muito bem o que foi de facto aprovado».
A Associação de Futebol do Algarve, para cúmulo, emitiu posteriormente um comunicado dizendo que haverá quatro séries, com 64 clubes, na hipotética próxima 2ª. divisão, quando, afinal, parece que a proposta aprovada apenas contempla três séries de 16 clubes, o que dá um total de 48.
Há, de facto, grandes dúvidas, segundo a mesma fonte e até que o caso seja esclarecido, muita tinta irá ainda correr. A Associação de Futebol de Aveiro votou contra  a proposta aprovada por maioria, invocando que «qualquer reformulação deverá contemplar o encaixe desportivo entre a 2ª. divisão e 2ª. liga de futebol profissional e, como não há uma decisão que salvaguarde este princípio, a AFA não concorda com a reformulação, pese, embora, por imperativo institucional, tenha de acolher essas deliberações».
 Soberania dos Desportos, entretanto, apurou de fonte segura que a AFA contactou directamente o presidente da FPF, Gilberto Madail, a quem fez sentir as suas preocupações face ao que ficou deliberado, tendo o líder federativo confirmado que só após a audição das gravações, se poderá saber qual o caminho a seguir.
Isto, face a uma reunião que, em boa verdade, veio lançar mais achas para a intensa «fogueira» que consome actualmente o edifício do futebol português, seja o profissional ou o amador.
JACINTO MARTINS


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