Papel sem pernas
O homem estava estupefacto com o que lhe dizia o funcionário daquela Repartição Pública. O seu requerimento, um simples papel para resolver um problema que lhe era importante e urgente, não atava nem desatava. Motivo: havia sido despachado por um funcionário e era preciso que chegasse a outro para mais um despacho. Só que, este estava dois pisos abaixo e o papel não tinha pernas! Não desanimou o desesperado cidadão: deslocou-se à dita Repartição, meia centena de quilómetros de distância, foi ao piso onde estava o dito papel, desceu os dois andares e entregou-o ao outro funcionário. “Problema” solucionado! Isto acontece em Portugal no Século Vinte e Um, País da Eurolândia, que nos últimos vinte anos (!) já investiu muitos milhões para modernizar, informatizar e formar os funcionários dum Estado que permanece surdo, cego e mudo, perante a mentalidade burocrática, que resiste a muitos ventos e marés! Bem sei que temos que separar o trigo do joio. E há também, felizmente, muitos funcionários que adoptam uma atitude moderna e eficaz. Mas, exemplos como este devem deixar-nos preocupados e tristes. Um político com pergaminhos, um dia disse-me: a burocracia do nosso Estado e o seu peso foram criados para gerir um Império. Este acabou, mas manteve-se o peso da sua burocracia!
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