Morte anunciada dos pequenos clubes
Num momento especialmente grave e perigoso para a generalidade das economias mundiais, que deixam os países em recessão e sem rumo certo, o desporto também não podia escapar à crise de que todos falam e sentem. O futebol português, apesar de ter visto Cristiano Ronaldo ser eleito o melhor jogador do planeta, está à beira da falência, com incontáveis clubes a sentirem na pele as dificuldades do momento, deixando de pagar salários aos seus jogadores e colaboradores. Da Superliga aos distritais, o panorama é aterrador e certamente muitos emblemas vão deixar de participar em provas oficiais, sejam estas de âmbito nacional ou distrital. A recente publicação da nova Lei de Bases do Sistema Desportivo carrega um conjunto de exigências que vão atingir em cheio as associações distritais e os clubes amadores, com especial impacto nos escalões de formação. A Federação Portuguesa de Futebol tem em mente alterar, de forma radical, os campeonatos nacionais da segunda e terceira divisões e também os nacionais de juniores e juvenis. O argumento usado é o de reduzir custos, confinando os campeonatos a espaços geográficos curtos, tornando os mesmos quase ao nível de competições de rua a rua, freguesia a freguesia. A medida mais significativa, caso uma das propostas seja votada favoravelmente pela assembleia geral da FPF, onde as associações distritais perderam imenso peso de votos, passa, imagine-se, pela extinção do actual campeonato nacional da terceira divisão, isto, a partir da época 2010/2011. Se a medida for aprovada, todos os clubes da terceira divisão descem aos distritais no final da próxima época, excepto os que subirem à «nova» segunda divisão nacional, o que no caso de Aveiro, será uma autêntica razia. Mas há pior nas propostas que vão ser discutidas e votadas, pois o número máximo de clubes a disputar a divisão principal distrital, não pode ser inferior a dez, nem superior a dezasseis. Em Março de cada ano, esses campeonatos distritais terão de estar terminados, de modo a que o campeão entre numa prova nacional, que dará acesso à nova nomenclatura da segunda divisão nacional. Cabe então perguntar: - Será que os clubes que restam – 15, no caso de Aveiro, terminam a época em Março? Custa a acreditar que seja esse o caminho, mas nada garante a continuidade competitiva subsequente ao final dos distritais. Vamos ver o que sairá da assembleia geral da Federação. No caso do campeão distrital desta época, que, ao que tudo indica, será o Cesarense, de pouco lhe valerá essa promoção, uma vez que daqui a um ano será novamente remetido para o distrital de Aveiro, a menos que subisse à segunda divisão. Enfim, à conta da crise que se vive no país não desportivo, está a preparar-se uma autêntica "eutanásia" dos clubes e associações, as quais, apesar de tudo, podem ainda adiar a «morte anunciada» por mais algum tempo, uma vez que a próxima assembleia da Federação ainda vai decorrer com actuais regulamentos, onde as associações distritais dispõem de votos suficientes para travar as propostas que vão ser apresentadas.
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