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O Coro Alma de Coimbra por Portugal e mundo fora

por Armando Rocha em Janeiro 21,2009

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Assisti há dias, num dos belos salões do Palácio Foz, aos Restauradores, em Lisboa, a um excelente concerto que o coro Alma de Coimbra proporcionou a uns tantos lisboetas.
Por lembrança de um antigo estudante de Coimbra e grande entusiasta do coro, o Dr. Nuno Tavares, a residir em Aveiro, recebi o convite, o que me deu muita alegria. Porquê? Por duas razões principais:
A primeira é porque me levou a um local que eu já não visitava há décadas e que foi uma “herança” do nosso conterrâneo Conde Sucena, a exemplo do que esse benemérito fez com o renomado Hospital de Águeda. E fiquei agradado com o estado de conservação da lindíssima sala dos espelhos. Do resto, suponho que também estará em situação idêntica.
A segunda é porque, como orfeonista que fui nos tempos de Coimbra, sabe sempre bem reviver esses tempos. Nos idos anos de 40, o Orfeon Académico de Coimbra tinha 90 vozes masculinas e a ele chegou a presidir o nosso conterrâneo Mário Sereno Cura Mariano que veio a ser, tal como seu pai, um prestigiado juiz-conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça. Ensaiávamos todos os dias úteis e, por esse facto, a praxe coimbrã não se aplicava nas noites dos ensaios…
Esse Orfeão cantou por todo o país, em Espanha, em Angola e Moçambique e no Brasil… E ainda canta!
Só que, os antigos orfeonistas não deixaram apagar a chama da cantoria e criaram, em 1980, um Coro próprio que se apresenta com frequência nos mais variados palcos. E dele nasceu uma cisão que levou uns tantos, em 2006, a saírem mas a continuarem juntos, agora no “Alma de Coimbra”, com o director musical com quem haviam trabalhado ao longo de uma dúzia de anos, do Coro inicial - o maestro de excelência Augusto Mesquita.  
O espírito académico, neste coro, manifesta-se actualmente através das vozes maduras de, entre outros, um juiz-conselheiro, um juiz desembargador, quatro advogados, oito engenheiros, quatro juristas, quatro médicos, um meteorologista, um notário, dez professores dos ensinos superior e secundário, um meteorologista. Dispersos pelo País, contando mesmo com um elemento da Madeira e outro dos Açores (Ilha do Pico), reúnem-se com regularidade em Coimbra, onde prosseguem a sua preparação.
Propõem-se a divulgação de poetas, autores e intérpretes portugueses e/ou de fala portuguesa - seja em Portugal, seja em países de expressão oficial portuguesa, naqueles em que a presença lusa se fez sentir no passado, ou junto das nossas comunidades dispersas pelo mundo.
É uma delícia escutar as suas belas vozes a interpretar “Ave Maria”, de Frei Hermano da Câmara, “Romagem à Lapa”, de Leonel Neves/Luiz Goes, ou “Lágrima”, de Amália Rodrigues/Carlos Gonçalves….
Além fronteiras, estiveram em Macau, nos 1ºs. Jogos da Lusofonia, e em Hong Kong, em Outubro de 2006; em Timor-Leste, em Fevereiro seguinte, numa visita pioneira e inesquecível; nos Estados Unidos, em Dezembro de 2007, assinalando o fecho da presidência portuguesa da União Europeia: cantaram na Embaixada de Portugal e no Massachusetts e em New Jersey - onde, significativamente, voltaram meses depois, em Março e pelo Dia de Portugal. Partem agora para a Índia onde - além de concertos em Damão, Bombaim e Cochim - intervirão no Festival Capela do Monte, que a Fundação Oriente promove em Goa, de 23 a 27 deste mês...
                    





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