Futebol: Falta de motivação do grupo na base do insucesso da BARC…
Ricardo Alves (Rina), 32 anos, deixou o comando técnico da BARC à 14ª. jornada. O jovem treinador capitalizou apenas nove pontos para o clube, na 1ª. divisão distrital desta época.
SPD: O que é que falhou? RINA: Falharam, essencialmente, os resultados positivos, em consequência de uma série de factores que, nesta ocasião, não importa muito relevar. Abracei este projecto determinado em fazer um trabalho digno, mas estava consciente das inúmeras dificuldades que iriam surgir. SPD: Que dificuldades? RINA: Como é sabido, a BARC não atribui quaisquer prémios monetários aos atletas e o maior problema, a meu ver, reside aí. Deixa de haver responsabilidade ao nível da comparência aos treinos, dos horários, das regras determinadas... Já todos sabíamos que o clube não tinha possibilidade de pagar, mas isso não nos deveria impedir de sermos mais humildes, solidários e unidos. SPD: Está arrependido? RINA: De maneira nenhuma! Vim com o objectivo de construir uma família e projectar a minha carreira no futebol sénior, tenho noção que trabalhei sempre com dedicação e honestidade e esta experiência também serviu para tomar contacto com a realidade de clubes como a BARC. SPD: Deixa o clube com apenas nove pontos em 14 jogos... RINA: Na época passada, o clube tinha 10 pontos à 14ª. jornada e já tinha mudado de treinador uma vez, porque, nestas condições, a fuga aos últimos lugares torna-se muito difícil. Mas quero lembrar que o plantel da BARC foi projectado para competir na 2ª. divisão distrital. SPD: Não tem valor para jogar na 1ª. divisão? RINA: Não foi isso que eu disse! O plantel da BARC é formado por muitos atletas jovens, que querem mostrar valor, e isso poderia jogar a favor do clube, mas há uma grande falta de motivação. E a equipa técnica, formada por mim e pelo Fernando Pinho, sentiu-se impotente para contrariar esse estado de espírito.
MANUTENÇÃO É MUITO DIFÍCIL
SPD: Acha que o clube se pode manter na 1ª. divisão? RINA: Desejo que sim, mas considero que é muito difícil. Há boa vontade dos dirigentes, mas nada se pode exigir a ninguém, já que os atletas não têm grandes obrigações com o clube. O que é que se vai fazer a um atleta que falte a um treino ou que chegue atrasado a uma concentração? SPD: Que leitura faz deste campeonato? RINA: O Cesarense assume-se como a equipa mais forte e o título dificilmente lhe escapará. Em relação às equipas de Águeda, julgo que Fermentelos, Valonguense e LAAC estão a fazer uma época positiva e que se vão manter na 1ª. divisão. Todavia, faltam disputar 19 jornadas (57 pontos) e muita coisa pode acontecer... SPD: A BARC chegou a queixar-se das arbitragens... RINA: A melhor coisa que pode suceder a um jogador, ou a um treinador, é chegar ao fim de um jogo e cumprimentar um árbitro, felicitando-o pela isenção do seu trabalho. É certo que isso nem sempre é possível, mas temos, de uma vez por todas, que deixar de justificar os resultados menos conseguidos com as arbitragens. Eu também não vejo os árbitros a criticarem os jogadores e os treinadores quando eles falham um golo ou operam mal uma substituição!... SPD: Ou seja, não é pelos árbitros que a BARC está no fundo da tabela... RINA: Não! Antes de olharmos para as fragilidades dos outros, temos que olhar para as nossas! Não é lógico que estejamos a apontar o dedo às falhas alheias, quando não conseguimos pôr cobro aos nossos próprios erros.
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