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Cultura: "Lábio cortado", de Rui Almeida venceu prémio Mnauel Alegre
O júri da primeira edição do Prémio Manuel Alegre decidiu, por unanimidade, atribuir o prémio pecuniário de 5.000 euros ao trabalho “Lábio cortado”, de Rui Miguel Leal de Almeida, de 36 anos, que se apresentou a concurso com o pseudónimo João Vieira Freire.
Foi decidido, ainda, atribuir uma menção honrosa ao trabalho “Assombrosamente os bichos atravessam as trevas”, de Maria Dulce Guerreiro, que concorreu com o pseudónimo Polínia. O prémio e a menção honrosa serão entregues no espectáculo de tributo a Manuel Alegre, a realizar no próximo sábado, dia 22, às 21 horas, no Cine-Teatro São Pedro. O Prémio Manuel Alegre originou uma enorme adesão e entusiasmo entre os talentos emergentes da escrita em língua portuguesa (cerca de 130 trabalhos recepcionados). Entre outras personalidades, integraram o júri deste concurso o poeta Nuno Júdice, a romancista Lídia Jorge e a ensaísta Clara Crabbé Rocha.
HONRA E ALEGRIA
Rui Almeida, vencedor da primeira edição do Prémio Manuel Alegre, dise a SP que a escolha do júri é “uma honra e uma alegria”. Dedica o prémio “a todos os amigos em geral” porque entende que “a amizade é a melhor e mais bonita forma de identificação”. SP: Que significado tem para si esta vitória no Prémio Manuel Alegre? RA: Uma honra e uma alegria. Honra, não só pelo patrono, que é, inegavelmente, um dos nomes mais sonantes da actual poesia portuguesa, mas também pelo júri, composto por pessoas que muito admiro e que são referência da nossa literatura. Alegria, por significar que algo que fiz com gosto foi reconhecido e, sobretudo, por poder constatar que tenho muitos amigos que comigo se alegraram. É também uma tomada de consciência pessoal, que poderá ajudar a criar condições para uma persistência que a poesia necessita. SP: Sente algum sabor especial por esta conquista? RA: Antes de mais, não sinto este prémio como uma conquista. Foi uma escolha do júri e alegro-me por ter recaído sobre um conjunto de poemas que reuni de entre o que venho escrevendo. O sabor especial está a ser o do espanto, o de sentir que posso permitir a mim próprio alargar horizontes, em termos de criação. SP: O que é que a poesia de Manuel Alegre representa para si? RA: Comecei a ler a poesia de Manuel Alegre na adolescência. Reconheço-lhe uma forte dimensão cívica e, sobretudo, em “A Praça da Canção” e “O Canto e as Armas”, o testemunho de um tempo em que a resistência, através da poesia, exigia força e coragem. Também me interessa a sua convocação da história como foco que pode iluminar o presente. No entanto, dos seus livros, o que mais me marcou foi “Senhora das Tempestades”, onde se desenrola um drama mais pessoal. SP: Quando é que lhe nasceu o gosto pela poesia? RA: É difícil definir. Mas tenho ideia de, ainda na primária, já me interessar pelos poemas que apareciam nos livros de português do meu irmão mais velho. Depois, na adolescência, através de uns amigos mais velhos 15 ou 20 anos, comecei a ouvir muito cantores como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira ou Sérgio Godinho e, através das canções, fiquei a conhecer alguns poetas. Uma das canções de José Afonso, com um poema de Jorge de Sena, “Epigrafe para a Arte de Furtar”, marcou-me ao ponto de desejar saber quem era aquele autor. A leitura de Sena abre-me horizontes e, depois, Ruy Cinatti e José Gomes Ferreira, consolidam esse gosto e uma certa necessidade de também escrever coisas.
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