Agadão: Perplexidades presidenciais de um mandato autárquico
Chegou o momento de manifestar e dar a conhecer à população da freguesia de Agadão, o meu desagrado na forma de agir do Presidente da Junta de Freguesia, António Farias dos Santos. Como agadonense atento e interessado, li, como se compreenderá, a entrevista publicada na Soberania do Povo de 30 de Outubro.
Deixou-me com algumas perplexidades. Não consigo perceber como o abastecimento de água a algumas povoações "arrepia" e tira horas de sono ao presidente, mas, obras como o centro social e o heliporto sejam consideradas "favas contadas". Também não percebi muito bem o que pretende dizer sobre as torres eólicas. Está a referir-se às instaladas no concelho de Mortágua e na possibilidade da acção judicial movida pelos proprietários ser ganha por estes, será que as vão deslocalizar por causa disso? Quanto aos "abutres" políticos que parecem girar à volta delas, deve tratar-se de uma espécie protegida. Quanto às projectadas para o Cabeço Santo e na incompatibilidade da sua instalação com a construção do hipotético heliporto a prestações, não dará origem a que não se tenha nem uma coisa nem outra? Estou para o heliporto como para as guerras das grandes potências; é relativamente fácil ganhá-las-neste caso fazer a obra- o difícil é manter a ocupação. Nesta situação, aguentá-lo a funcionar.
Quem paga a factura?
Quanto ao Centro Social, seria óptimo. Mas, quais são as garantias de toda a logística para a sua construção e funcionamento? Se o conseguir, proponho que lhe seja posto o nome do presidente da Junta. É bem merecido. Agora o que não percebo é que tenha começado por comprar a carrinha! Acho que a carrinha seria a ultima coisa a adquirir, pois, trata-se de um bem que se obtém de um dia para o outro. Chamo a isto "prender o carro à frente dos bois", ou começar a casa pelo telhado.
Transportes escolares
É de lamentar a atitude do presidente da Junta de Freguesia. no que concerne ao transporte escolar das crianças da nossa freguesia para a pré-escola e EBl da Lomba. É do conhecimento de todos os agadonenses que a Câmara Municipal de Águeda se prontificou a adquirir uma carrinha, devidamente equipada, para o transporte, nas devidas condições de segurança, das crianças para a pré-escola e para a EBl da Lomba, tal como fez com a Junta de Freguesia do Préstimo. Carrinha que seria entregue à Junta de Freguesia, em regime de comodato. O mesmo é dizer, a Câmara entregá-la-ia para que a JF se servisse dela, para fazer face a todos os fins comunitários da freguesia - desde o transporte das crianças para as escolas à assistência ao posto médico, compra de medicamentos, auxiliando os habitantes sem meio de transporte, mas principalmente os mais idosos. E a deslocação para prática de actividades de carácter recreativo, entre outras. Carrinha que só seria restituída à Câmara quando deixassem de se verificar as situações estabelecidas no protocolo. O mesmo é dizer que poderia ficar "ad eterno" na Junta de Freguesia de Agadão.
Propriedade da carrinha
Em termos práticos, estamos a falar unicamente de um documento, denominado registo de propriedade. O que, segundo o presidente, faz toda a diferença. Sendo esta a sua explicação para a não aceitação a custo zero da carrinha. Optando por adquirir uma idêntica, dizendo ele que para o centro social. Custeando todas as despesas que lhe são inerentes. O que de modo algum é compreensível. É inaceitável uma opção destas.
Ameaças do presidente
Não posso deixar de manifestar a minha indignação relativamente ao facto de o vice-presidente da Câmara, Jorge Almeida, e a vereadora Elsa Corga terem a iniciativa e preocupação de reunir com os pais das crianças da pré-escola e 1°. ciclo para tratar de assuntos referentes ao seu transporte, e como forma de agradecimento, vir o presidente ameaçá-los com a propositura de uma acção judicial, por terem utilizado as instalações da escola sem comunicação e devida autorização do Agrupamento de Escolas de Aguada de Cima, bem como, não ter sido devidamente convocado para a reunião. Alegando mais, até, que a dita reunião teve por base fazer campanha contra a sua pessoa. O que em si é ridículo. Tal atitude não pode ter outra conotação, a não ser de ridícula. O vice-presidente da Câmara e a vereadora demonstraram toda a preocupação e disponibilidade para solucionar, de uma vez por todas e nas melhores condições, o transporte das crianças e o presidente encara essa atitude louvável, como uma afronta política. Continuo sem perceber! Constato que os milagres estão a rarear, mas cá estarei para felicitar veniamente o presidente pela realização das obras em causa, pois, são quase um milagre!
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