Águeda: Novo traçado da A32/IC2 longe de reunir consensos
Cerca de uma centena de munícipes da Trofa encheram as galerias do Salão Nobre dos Paços do Concelho, por ocasião da Assembleia Municipal (AM) de 31 de Outubro, com o objectivo de acompanharem a apreciação e discussão da proposta do município acerca do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do traçado da futura A32/IC2.
Da análise técnica ao EIA apresentado pela Agência Portuguesa do Ambiente, efectuada pela Divisão de Estratégia e Planeamento da Câmara Municipal, concluiu-se que a melhor solução passa pela Alternativa 3 (novo traçado a poente do actual IC2 em Aguada de Baixo) + Solução 1 (duplicação da ponte do IC2 em Espinhel) + Alternativa 4A (alargamento do actual traçado em Segadães e Trofa, até à zona de Lamas do Vouga). Posteriormente, após a série de reuniões promovidas pela Câmara Municipal nas Juntas de Freguesia, foi reiterada a conclusão que a melhor solução passará por implementar a Alternativa 3 + Solução 1 + Alternativa 4A, considerando-se, ainda, a possibilidade de construção de uma nova ponte em Espinhel, com dois sentidos de trânsito (Alternativa 4).
AUTARCAS TOMAM POSIÇÃO
Paulo Alves, presidente da Junta de Aguada de Baixo, considerou que todas as propostas apresentadas são “desfavoráveis”, já que afectam a “zona de expansão da freguesia” e “prejudicam a sua capacidade construtiva”. Deste modo, deu conta que “um conjunto de cidadãos reuniu-se e propõe um traçado alternativo (que desvia um pouco mais para poente), de que a Câmara Municipal já tem conhecimento”, acrescentou. Manuel Campos, líder da Junta de Freguesia de Espinhel, considerou que “não nos estão a dar nada, só nos estão a prejudicar” e concluiu que “uma solução é má (alargamento) e a outra é péssima (desvio)”, originando a ocupação de “uma extensa área agrícola”. Alcides Jesus, presidente da Junta de Lamas do Vouga, que chegou a ser a favor do alargamento do actual traçado, mudou de ideias, “depois de analisar melhor os traçados propostos”. “Eu estou a favor do povo! Eu não quero dividir a freguesia!”, disse Carlos Silva, presidente da Junta da Trofa, optando por não defender nenhuma das propostas apresentadas no EIA. Uma, que inflecte para poente, na actual passagem superior sobre o IC2, em Mourisca do Vouga, atravessando por completo a Cheira. A outra, que prevê o alargamento do traçado. MURO DE BERLIM
Os munícipes da Trofa presentes nas galerias - maioritariamente contra o alargamento do actual traçado -, chegaram a aplaudir várias intervenções, com destaque para as posições de Hilário Santos (PSD) e Ricardo Nunes (PS), que se mostraram cépticos em relação à Alternativa 4A. “Tenho dúvidas na fundamentação da duplicação”, referiu Hilário Santos, acrescentando que “não consigo ver vantagens no alargamento”. “Estamos a criar um autêntico muro de Berlim com a opção 4A”, frisou Ricardo Nunes, rotulando o projecto “de aberração ambiental”. “Estamos a perder tempo! Já está tudo decidido!...”, insurgiu-se José Oliveira, presidente da Junta de Aguada de Cima. “Devem estar descansados que o alargamento não deve ser feito... Então, ainda agora arranjaram a estrada!”, acrescentou o autarca, de olhos voltados para o público. QUEREMOS A MELHOR SOLUÇÃO
“Eu quero acreditar que as decisões não estejam tomadas”, começou por sublinhar Gil Nadais, presidente da Câmara, que concordou com a proposta de Aguada de Baixo e se mostrou contra a ideia de “ter Oronhe entre duas estradas”. “Eu sou teimoso, mas é só em algumas coisas”, assegurou o edil, perante os munícipes da Trofa, referindo-se às soluções defendidas pela Câmara Municipal (alargamento do actual traçado), após a análise técnica do EIA e das reuniões com as Juntas de Freguesia. “Estaremos até ao limite (10 de Novembro) a ouvir as pessoas. O que queremos é a melhor solução”, vincou Gil Nadais. Este ponto da Ordem de Trabalhos terminou com alguma agitação nas galerias, com os munícipes a pedirem “imparcialidade da Câmara Municipal” e a consequente tomada de posições com base “num estudo de impacte ambiental isento”.
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