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Cultura: Uma vida inteira dedicada à música e lugar na história da cultura de Águeda
Américo Fernades é um nome incontronável da cultura de Águeda. Na Sociedade Musical Alvarense, de Casal de Álvaro, que completou, recentemente, 103 anos, foi músico, maestro e dirigente em momentos difíceis. E foi fundador e maestro da Orquestra Típica.
À beira de completar 87 anos de idade, no início do próximo ano, disponibilizou-se para uma curta viagem pelos trilhos da cultura de Águeda. SOBERANIA DO POVO (SP): Como é que está, no seu entender, a Banda Alvarense? AMÉRICO FERNANDES (AF): Tem conseguido, felizmente, o milagre de se manter de pé, apesar da dificuldade em encontrar dirigentes que assumam os seus destinos. É uma aflição, sempre que é necessário arranjar presidente... SP: E a nível artístico? AF: Julgo que vai pelo bom caminho, mas o maestro, de quando em vez, tem que dar um murro na mesa! É muito bom rapaz... É uma pessoa extraordinária e competente. SP: Que ideia tem sobre os maestros das outras quatro Bandas de Águeda? AF: Cada um tem as suas próprias características. São todos diferentes. Gosto muito do estilo sóbrio e eficiente do Carlos Marques, da Marcial. O João Neves é muito impulsivo, mas tem muita qualidade. O Pedro Neves é um “menino” que tem enchido de orgulho o concelho, pela sua modéstia e competência. O maestro da Castanheirense tem melhorado significativamente o nível artístico da sua banda. Tento acompanhar o movimento cultural de Águeda sempre que posso...
FAMÍLIA DE MÚSICOS
SP: Esteve, recentemente, em Recardães, no espectáculo Toques do Caramulo. Gostou? AF: Sim... É um misto de músicas populares, de cantigas do folclore de Águeda e algum teatro à mistura, servido por um solista que faz da voz o que quer e dá ao espectáculo uma dinâmica que empolga o público. O grupo, para além do acordeão adequado para as brincadeiras do Luís (Fernandes), é servido por belíssimos instrumentalistas. SP: O Luís Fernandes, que é seu sobrinho e que aprendeu música consigo... AF: Foi. Aliás, os meus quatro sobrinhos, que hoje são profissionais da música, aprenderam todos comigo. O Artur, além de ser um exímio na concertina, chegou a ser muito bom no saxofone alto; o Bitocas é um especialista na percussão; o Luís tinha muita qualidade na flauta transversal; e o Rogério aprendeu instrumento de bocal e executou muito bem o bandoloncelo na Orquestra Típica.
ALEGRIAS E TRISTEZAS
SP: Tem muitas e boas recordações... AF: Muitas! Quando estava na Orquestra da Rua d’Além, tivemos duas saídas que me marcaram muito. À Casa do Minho, em Lisboa, e a Miranda do Douro. E não esqueço a deslocação, mais recente, da Orquestra Típica à Madeira. SP: E tristezas? AF: A maior terá sido num concurso, em Aveiro, no qual participaram as Bandas de Casal de Álvaro, Ovar, Salreu e Troviscal. “Roubaram” o primeiro lugar à Banda do Troviscal, em favor de Salreu, e o terceiro à Alvarense, em favor de Ovar. Ainda era miúdo, mas nunca mais me esqueço... Ver edição SP impressa
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