Cerca de uma centena de alunos da Escola EB 2,3 de Fermentelos manifestou-se junto ao portão da entrada, na manhã da passada quinta-feira, 16 de Outubro, protestando contra a falta de funcionários.
O movimento nasceu a partir de uma sms que começou a circular manhã cedo: “Bom dia pessoal. Não se esqueçam: hoje não entrem na escola. Temos que lutar para que venham funcionários para a nossa escola. Passem a sms a todos os alunos da escola de Fermentelos”.
Soraia Rodrigues, 13 anos, do 8º. ano, foi uma das alunas que se juntou ao protesto. E falou a SP: “Recebi a sms e concordo com as razões do protesto. A escassez de funcionários tem originado o mau funcionamento da escola e foi isso que motivou esta revolta”, explicou a jovem estudante.
“A vinda de mais funcionários só vai melhorar a situação de todos. Dos alunos, dos professores e dos poucos funcionários que, de momento, estão ao serviço”, defendeu Soraia Rodrigues. “O nosso objectivo não é faltar às aulas, nada disso, mas alertar para os problemas que temos na escola”, concluiu.
FUNCIONÁRIA
NO... BRASIL
Noémia Moita, funcionária da EB 2,3 de Fermentelos “há 13 anos”, está actualmente no bufet e juntou-se ao coro de protesto dos estudantes. “Reconheço razão aos alunos, porque nós não temos, realmente, capacidade de resposta para lá do imenso esforço que fazemos”, disse a SP.
“Temos uma funcionária que, de há sete anos a esta parte, trabalha mês e meio, mete atestado, porque o sistema lhe permite que o faça, e passa 18 meses no Brasil!”, acrescentou, indignada, Noémia Moita, aplaudida pelo grupo de alunos contestatários.
Júlio Cruz, vice-presidente do Conselho Executivo da EB 2,3 de Fermentelos, reconheceu a SP que “os funcionários que estão ao serviço têm feito mais do que lhes é exigido” e admitiu que com a falta de meios humanos “acabaram algumas regalias a que os alunos estavam habituados”.
A Escola EB 2,3 de Fermentelos tem “cerca de 250 alunos” e dispõe de “13 funcionários, mas só cinco estão ao serviço” (um funcionário por cada 50 alunos), revelou Júlio Cruz, que, ainda assim, considerou que “a escola tem funcionado dentro da normalidade, sem problemas de maior, não estando encerrado nenhum serviço”.