Álvaro Manuel Ferreira da Silva, 51 anos, é o principal rosto da SGPS ARA (Álvaro, Rosa e Andreia), que engloba a Ramalhos SA, a Silva, Amado & Braga SA e a Exporlux. O grupo prevê atingir um volume de negócios de 28.000.000 no final deste ano.
Respira confiança e humildade. Mostra-se optimista e simples. Tão simples, que um dos seus maiores prazeres é estar por Águeda ao fim-de-semana, adquirir o Expresso ao sábado de manhã e desfolhá-lo ao sabor de um... café.
Avesso a protagonismos e vaidades (“olhe que não quero a minha fotografia em grandes dimensões”, sugeriu-nos), não dispensa a bicicleta quando tem necessidade de se movimentar, no imenso império industrial que edificou.
SOBERANIA DO POVO (SP): A Ramalhos é hoje uma das mais renomadas empresas de Portugal. De quem é o mérito?
ÁLVARO SILVA (AS): É, fundamentalmente, de toda a equipa que faz parte integrante da SGPS ARA, que controla todas as empresas do Grupo.
SP: Alguma vez pensou liderar um projecto empresarial desta dimensão aos 51 anos?
AS: Quando adquiri a Ramalhos, em 1986, fiquei com uma pequena empresa em mãos, é verdade, mas sempre ambicionei o seu crescimento. Confesso-lhe que sim.
SP: Qual foi a base para tamanho sucesso?
AS: Muita persistência e, sobretudo, muito trabalho de um alargado conjunto de dedicados colaboradores.
RAMALHOS EXPORTA 35%
SP: A Ramalhos completa-se com a Exporlux, com a Silva, Amado & Braga e, agora, com a Bluspan...
AS: Sim, a Ramalhos é a empresa líder... A empresa-mãe, por assim dizer. É uma empresa que exporta mais de 35% da sua produção e que está em constante modernização. Só para que tenha uma ideia, vamos investir, a partir de Janeiro do próximo ano, mais de 1,2 milhões de euros em novas máquinas, para aumentarmos a capacidade produtiva, porque, como sói dizer- -se, “não temos mãos a medir”.
SP: A Exporlux é outra das meninas dos seus olhos...
AS: São todas! Quem estaria mais habilitada para falar da Exporlux era a minha esposa, Rosa Maria, que lidera o projecto. A Exporlux teve um crescimento de 2,9 para 8,5 milhões de euros nos últimos cinco anos. Recentemente, fizemos trocas de participações com a Bluspan, que é a única empresa portuguesa a fazer desenvolvimento electrónico para o sistema de iluminação LED (soluções por medida).
SP: E, quanto se sabe, é uma empresa que tem procurado moldar-se às fortes exigências do mercado...
AS: É inevitável que assim seja! Entrámos num mercado em que se faz uma solução à medida daquilo que são as pretensões do arquitecto. Abandonámos a solução tradicional e trabalhamos o projecto. Fizemos várias parcerias e, em Espanha, demos um salto muito grande. Valência construiu uma cidade nova ao lado da cidade velha e ganhámos o projecto de toda a iluminação exterior. Quando a arquitecta viu aquilo tudo iluminado, até chorou!
SP: O crescimento da Exporlux e da Bluspan é animador... Está confiante e seguro?
AS: A nossa meta é crescer sempre! Como lhe disse, trocámos participações com o eng. David Alexandre, e, no futuro imediato, vamos avançar para a construção das novas instalações da Bluspan, ao lado da Exporlux.
SP: E a Silva, Amado & Braga?
AS: É uma empresa que começou por ser um armazém de materiais não ferrosos. Hoje, tem um objectivo totalmente diferente. Por dois factores essenciais. Primeiro, porque adquirimos a marca Júlio Ramalho (indústria de câmaras de frio), deixando se ser armazenistas para passarmos a ser fabricantes. Depois, porque deixou de haver consumo de latão e tivemos necessidade de transformar o armazém em local de venda de material de inox. A SAB é hoje uma empresa que vende para as outras empresas do Grupo e para o público.
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