Macinhata do Vouga: Beco de Baixo à Redonda à caminho de outras eras
Dia 28 de Setembro, um domingo, encontrei-me com uns conterrâneos brincalhões, os quais, após uma breve troca de palavras, avançaram uma patranha, que eu de boa fé aceitei sem objecção.
“O arranjo da rua do Beco-de-Baixo e do caminho da Redonda tardou, mas sempre foi e, isso, vem com certeza, dar-lhe satisfação, tantas tem sido as vezes que V. vem com eles a terreiro”, disseram-me. “Agora, sim!, o arranjo que a Junta de Freguesia de Macinhata lhe deu é digno de nota e você, que tão lesto tem sido a escrever quando nada é feito, apronte lá uma notícia e teça--lhe elogios, pois, quer a Rua do Beco-de-Baixo, quer o caminho para a Redonda, estão de piso tão certinho, tão macio, sem buracos e silvas e quejandos cortados a preceito, que lhe digo... um luxo!”, acrescentaram-me eles.
Eleições e obras
Disseram mais: “Fala-se, não sei se por táctica eleitoralista, já que vem aí eleições, que a Junta vai mandar, finalmente, cortar aquelas austrálias que ameaçam fazer ruir a ponte da Quintã... Vai proceder de modo a que aquele vergonhoso muro na Rua do Beco-de-Baixo em calamitoso estado seja resolvido, que aquelas casas, “podres e a cair aos bocados”; uma na rua da Bela-Vistas, em Carvalhal, e outra na Rua da Nossa Senhora da Piedade, em Macinhata, uma ameaça para quem lá passa de fazer pôr os cabelos de pé, também sejam em breve resolvidos. Dê um passeio, vá até ao Beco-de-Baixo, suba a encosta até à Redonda e verá, pelo que lá foi feito, que lá foi feito, se a Junta de Freguesia, de Macinhata, não merece rasgados elogios!”.
Sem palavras
Bem urdido o estratagema, eu “enfiei o barrete” e fui mesmo. Vi, mas não esperava ver coisa assim! Roguei uma “praga” aos meus conterrâneos. Tudo contrário, do que apregoaram. A chuva que tinha caído, causou um verdadeiro desastre ao caminho. Será difícil encontrar no nosso vocabulário palavras que definam com exactidão o vergonhoso estado em que aquela via pública ficou. Já não era bom, mas ficou tão mau que, efectivamente, é dificil encontrar palavras para definir a actual situação - sem dúvida vergonhosa. Nenhuma corporação de bombeiros, em caso de incêndio florestal, arriscará a meter--se aí! Situação inaceitável no século XXI, mais a mais que se trata de um caminho público, centenário (não é não, caminho de servidão, exclusivamente reservado para esse fim!, que desse género até há muitos que são melhores!). De estranhar é que este caminho sempre tem sido objecto de cuidados. Todas as JF anteriores o fizeram, só a actual, como se o mesmo fosse terra de ningém, nunca lá deu uma mexedela e só por isso, o caminho está no deplorável estado em que se encontra!. E isto explica os comentários que aqui deixo. Desagradáveis, naturalmente, mas perante tão grande apatia e desprezo a que esse caminho tem sido votado, falta de respeito pelos direitos das pessoas que tem necessidades de o utilizar a JF de Macinhata não pode ser poupada ao desagrado que aqui fica. n ALCIDES MELO
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