Espinhel: A mentira do ditador e a verdade da democracia
A edição SP de 18 de Setembro publicou um comentário da Lista Independente da Freguesia de Espinhel (LIFE), que questionava a minha pessoa, enquanto ex-presidente da Junta de Freguesia. Com a evidente “assinatura” de Manuel Campos, o actual presidente da Junta.
A razão de tal ódio e rancor talvez se deva a não aceitar - nem entender... - algumas coisas que estão mal na freguesia. Como são os casos dos caminhos agrícolas, o abandono dos cemitérios, a (não) construção dos balneários do campo do Areeiro e, a mais forte, a perda de 42 500 contos - contos, não euros... - que estavam para aplicar no parque da pateira e foram perdidos por irresponsabilidade da Junta de Freguesia da LIFE, presidida por Manuel Campos. Carlos Alberto, secretário da Junta de Freguesia, teve a amabilidade de me telefonar, dizendo estar surpreendido com o texto publicado contra mim e nada ter a ver com isso. Disse-me mais: que ele (secretário da Junta), Hernâni Neves (tesoureiro) e Manuel Almeida (presidente da Assembleia de Freguesia) de nada sabiam do texto provocatório, apenas o conhecendo da leitura do jornal. E que o texto foi elaborado por Manuel Campos. O que não me admira. Esclarecer mentiras
Convém esclarecer as mentiras publicadas, para que a história e a verdade não sejam mistificadas. Quanto aos marcos, são seculares e não consta que algum cavalo branco andasse pela meia noite a mudá-los. Estão onde sempre estiveram. Quanto ao recenseamento, a lei é geral e previa um mês por ano para o actualizar. E sempre assim foi feito, nos meus mandatos - com dignidade, respeito institucional e sem quaisquer ameaças.
Posto Médico E vamos lá ao caso do posto médico, a mentira mais monstruosa de tudo o que a LIFE escreve, na pena de Manuel Campos. Quando assumi a presidência da Junta de Freguesia, apenas tínhamos uma pequena dependência na Casa Paroquial para tratar de assuntos da autarquia. Assim, Junta e Assembleia de Freguesia, demos início à construção do centro cívico - com a sede da Junta de Freguesia, salão cultural e espaço para o posto médico. O projecto era da Câmara Municipal de Águeda. O Estado, para tudo isto, atribuiu-nos 1200 contos de subsídios. Mas a ajuda de muita gente e o muito sacrifício da autarquia, permitiu a sua construção. Há verdades que não podem ser apagadas, por muito que doam a alguns. Após a conclusão do edifício do Posto Médico, a Junta de Freguesia marcou reunião com a Segurança Social, no sentido de ser aberto ao público, mas foi informada de que, no momento, não estavam autorizados a abrir postos médicos, estavam a centralizar os quadros nos existentes. Mais tarde, a Junta de Freguesia insistiu e a resposta foi a mesma. O tempo passou e os postos centralizados ficaram com a lotação esgotada.
Ameaças de Campos
Houve, entretanto, e já no tempo da presidência de Manuel Campos, autorização para a abertura de um posto médico, em Recardães ou Espinhel. E o que se passou? Pois Manuel Campos ameaçou os órgãos de decisão da área da saúde: ou o posto médico ficava em Espinhel, ou processava o responsável distrital da saúde. O que se passou, todos sabemos: o governo deu as instruções que deu e o posto médico foi para Recardães. Na inauguração, Manuel Campos foi pedir satisfações ao político do sector e respondeu-lhe ele, e passo a citar o que SP escreveu na altura, que “não se apanham moscas com vinagre”. E, para usar uma expressão popular, que não voltasse a chateá-lo. Em resumo, se Espinhel não tem posto médico, ao presidente Manuel Campos deve o prejuízo.
Nova candidatura
Não venho aqui para lavar roupa suja, ou limpar a minha honra, a de espinhelense que serviu a freguesia - sem precisar, vez alguma, de denegrir adversários políticos - ou usar mentiras para iludir erros. Sobre o futuro e a minha candidatura à presidência da Junta de Freguesia de Espinhel, bem sabe Manuel Campos que, sendo ele a sugeri-la, isso não passa de uma provocação irresponsável e diria até leviana. Estarei nessa altura em idade de reforma e não faz parte das minhas ambições reassumir tal cargo. Muito menos para o exercer em idade na qual as faculdades de cada um nos reduzem a dinâmica de outros tempos. Por causa idêntica, porventura, está Espinhel a pagar pesada factura, com Manuel Campos na presidência. Sou mais adepto de apoiar os mais jovens, emprestando-lhes a sabedoria da experiência, do que me eternizar em mandatos que lesam os interesses da freguesia. O que Espinhel precisa, no meu entender, é de gente nova, dinâmica, responsável e com vontade de trabalhar, dignificando a freguesia. E, felizmente, todas as listas têm jovens com essas características. As autarquias não devem, nem podem, ser asilo de políticos. Há, para eles, outras instituições (sociais). Os ditadores é que só saem do poder quando morrem ou por qualquer razão são afastados. Finalmente, as grandes referências de que Manuel Campos fala, quanto ao seu primeiro mandato, são obras planificadas e adjudicadas no meu tempo. E não por ele. As pessoas passam e as obras ficam, que é, realmente, o mais importante. E deixem-me ser um bocadinho imodesto: o povo da freguesia homenageou-me duas vezes, durante o meu exercício presidencial.
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