Travassô: As senhas de presença não dão para o gasóleo
Mário Martins sente-se bem na pele de presidente da Junta de Freguesia de Travassô. Começou como membro da Assembleia, em 1993, passou pelo cargo de tesoureiro, em 1997, e substituiu Aníbal Pires na presidência, em 1998.
Jão lá vão dois mandatos e meio que lidera a Junta de Freguesia. Sem desilusões, excepto o atraso no saneamento, essencial para “a qualidade ambiental da freguesia”. Como ponto alto, aponta o Jardim Social que se encontra em fase de construção. Não descarta a hipótese de recandidatura, embora lamente faltas de apoio. “As senhas não dão sequer para o gasóleo!”, disse. SOBERANIA DO POVO (SP): Que balanço faz dos seus mandatos à frente da freguesia? MÁRIO MARTINS (MM): Considero-os, globalmente, positivos, tendo em conta as obras realizadas e as que ainda temos para realizar... SP: Que obras realizadas destacaria? MM: Destaco a casa mortuária. Somos uma freguesia muito dispersa e as cerimónias fúnebres, ao longo da EN230, eram um drama, com cortejos que iam desde Almear e Cabanões até à Igreja. Com a construção da casa mortuária, acabou esse drama. Os corpos ficam na capela e são encaminhados para o cemitério na hora. SP: ... MM: Também saliento a abertura de novas artérias, como a continuação da rua dos Pousos, do Serrado, da Cal ou da rua da Rigueira, que vão permitir, a curto prazo, a expansão da freguesia. Também a rua do Patronato, que veio beneficiar, em muito, aquela instituição. Também gostaria de realçar o restauro de muitos fontanários. Fizemos cinco quilómetros de tubagens, que substituiram as antigas, de lusalite... SP: E ainda tem o parque de lazer... MM: A construção do Parque de Lazer da Senhora do Amparo é uma obra de que me orgulho muito e as pessoas têm aderido imenso. A equipa de futebol do Eirolense utiliza o nosso parque para a preparação da pré-época, devido à segurança, tranquilidade e ao equipamento disponível. SP: E que obra lhe deu mais satisfação? MM: O Jardim Social! Este Lar de Idosos, cuja inauguração se prevê para daqui a um ano, vai prestar um serviço inestimável aos mais velhos, que, até ao momento, não têm tido o apoio a que têm direito, nesta recta final das suas vidas. Muitos idosos passam o dia acamados, sem que ninguém lhes dê, sequer, um copo de água.
CICLOVIA POR CONSTRUIR
SP: E qual foi a sua grande frustração como autarca? MM: Não me considero desiludido, mas há coisas que não tenho podido realizar. Há uma obra que está na altura de se concretizar: a construção de uma ciclovia que ligue o centro da freguesia à Associação Desportiva de Travassô (ADT). Há dois anos que elaborámos um trabalho para essa construção, mas, até hoje, nada se conseguiu. Devido à intensidade do tráfego na EN230, é um perigo para os jovens deslocarem-se até à ADT. Já sugeri que se fizesse uma faixa de desvio da estrada, com acesso à associação, mas não tive êxito. SP: Quais são os problemas mais prementes com que se debate a freguesia? MM: O saneamento é uma aposta que temos de ganhar. 30% da população não tem acesso ao saneamento! Com três estações elevatórias de saneamento em alta, não faz sentido que haja tanta gente sem saneamento. É um contributo essencial para a qualidade de vida da freguesia. SP: Falou, à pouco, sobre o problema do trânsito... MM: Outro problema, é o tráfego da EN230. É urgente a construção de uma via rápida Águeda/Aveiro. O trânsito tem crescido imenso e até me pergunto como é que não há mais acidentes.
POLÍTICA DÁ... PREJUÍZO
SP: Recandidata-se em 2009? MM: Em Travassô, as coisas não se passam assim... Na altura certa, reunimo-nos, vemos quem está melhor habilitado para o lugar e decidimos. Primeiro, arrumamos a nossa casa e só depois informamos o partido da nossa decisão... SP: Não respondeu... MM: Na altura certa porei o lugar à disposição e, depois, logo se vê... Se é um orgulho defender a minha freguesia, também tenho a minha família e este lugar traz-me prejuízos. Penso que os autarcas deviam ser muito melhor compensados. As senhas de presença não dão, sequer, para o gasóleo que se gasta ao serviço da freguesia! Deveria haver um determinado montante para despesas de representação.
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