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Mourisca do Vouga: Feira de Os Pioneiros reaviva vidas de ontem!

por Redacção Soberania em Julho 03,2008

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Lembram-se os antigos, ainda, da Feira dos 24. Uma feira onde se vendia gado, artesanato e hortaliça, se compravam cumplicidades e se trocavam rivalidades. Uma feira que se perdeu no limbo da memória. Recuperada hoje, mais uma vez, por Os Pioneiros.

Os Pioneiros, na verdade e pelo terceiro ano consecutivo, inserida no Plano de Actividades para o mês de Junho, realizaram, no passado dia 25 de Junho, a Feira dos 24 - Santos Populares.
O evento teve o cunho organizador do Centro de Convívio da instituição e contou com a presença, para além das suas diversas valências, de numerosos visitantes. Foi uma festa.
O pinhal anexo ao edifício, também pertença de Os Pioneiros, foi o aprazível local do convívio, por onde se distribuíram as diversas bancas de artesanato, utensílios ou bugigangas. Também por lá se espalhavam verduras, frutas e o que mais houvesse.

Um belo avental

Dona Rosalina, nada e criada em terras do Algarve e arregimentada à freguesia por obra de um valonguense por quem se perdeu de amores, sorriu-nos, por detrás da banca, onde exibia vários objectos de artesanato. Enquanto se atareva na venda, lá nos vai explicando: “Sou do Centro de Dia. Estas coisas que vê, umas foram dadas e outras, feitas por nós...”. Uma cliente, interessada num belo avental, interrompeu-nos a conversa. A venda lá seguiu o seu caminho e nós o nosso.

Carangos e Robalos

Os Tocadores de Macinhata, ao ritmo de tambores, pandeiretas, ferrinhos e violas, foram dando o som de festas ao tom dourado da tarde. Manuela Esteves foi-nos explicando a génese desta feira, inspirada numa outra, dos anos 50: “Havia, dantes, uma grande rivalidade entre o norte da Mourisca, o Campolinho, conhecido como os Robalos, e o sul da freguesia, do Cabo da Sebe, que eram os Carangos.” E apontou para dois arcos, próximos um do outro, revestidos com ramagens, onde se exibiam pequenas figuras alegóricas. “Competiam com fogueiras, cascatas e bailaricos, onde cada um procurava ser o melhor”.
Horácio Pinheiro veio a terreiro, recordar peripécias que a memória teima em não esquecer: “Eu estava na fronteira entre o Carangos e os Robalos, isto, nos anos quarenta”. E sorriu, com ar maroto, na lembrança: “Era o sul contra o norte. Festas terríveis! Houve uma vez em que os Carangos, vestidos de  S. Pedro, arranjaram robalos podres e a cheirar mal e trouxeram-nos para o lado da capela. Os robalos revoltaram-se e aquilo acabou tudo em pancadaria”.
Manuela Esteves voltou ao presente, em Os Pioneiros, “A minha preocupação é recolher as vivências da época e recreá-las para agora e para o futuro”.

Marchas populares

Chegou o momento das marchas. Com o aprumo possível, alinhados a preceito e em passo de dança, não fosse este o mês das marchas, algumas dezenas de idosos, engalanados nos trajes daquela época, vão balanceando os arcos, ao ritmo dos tocadores. A leve brisa transportava já, o aroma das sardinhas, que, ao lado do edifício, já iam assando apetites, nos bidons improvisados junto às mesas.
As iguarias já estavam prontas. Algumas dezenas de crianças, bem alinhadas na calçada do passeio adjacente, de cozinheiro vestidas, já se antecipavam à festança. Ainda se ouve, ao fundo, o sólido som das marchas. A brisa do pinhal, ainda sopra, tépida, num salamaleque primaveril àquela tarde quente de Verão.

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