Águeda: Cancioneiro de ouro pede "obras" à Câmara
As comemorações das bodas de ouro de O Cancioneiro de Águeda iniciaram-se pelas 11 horas do dia 21, na sede, com a apresentação de uma brochura e o lançamento de uma medalha comemorativa.
Pelas 16 horas, realizou-se um arraial popular, com um festival de folclore de folclore, onde estiveram integrados o Cancioneiro Infantil de Águeda, Grupo Folclórico de Crastivães, Associação de Folclore de Danças e Cantares de Silva Escura, Grupo Etnográfico de Mourisca do Vouga. Grupo Folclórico Etnográfico Albergaria-a-Velha, Grupo Etnográfico Bairrada Ribeirinha, Grupo de Danças e Cantares de Vale Domingos e Velhas Guardas do Cancioneiro
Cerimónia oficial
As comemorações cinquentenárias de O Cancioneiro tiveram participações, para além de muitos associados, de Gil Nadais (presidente da Câmara), Rogério Estrela, (presidente da Junta de Freguesia de Águeda), Silva Pinto, presidente da Assembleia Geral de O “Cancioneiro”, Rosa Irene Noronha, presidente da direcção, eng. António Celestino de Almeida e a fundadora da colectividade, Luciana Aguiar. Rosa Irene Noronha fez uma breve resenha histórica de O Cancioneiro de Águeda, sublinhando a importância das sachadeiras na génese da formação do grupo, a importância que é dada à “preservação do espólio, com trajes muito próximos da realidade” e a relevância das exposições temáticas do Museu. A seguir falou um dos fundadores, Luciana Aguiar. Com uma energia e jovialidade admiráveis, fez-nos regressar aos anos cinquenta, descrevendo o concelho de então, “onde percorremos todas as aldeias e encontrámos coisas maravilhosas”. Lembrou o prof. Fernando Leça, que descobriu “o triquitique”. Na hora dos agradecimentos, enalteceu a figura de António Celestino de Almeida, fundamental para a aquisição do edifício-sede e de Armando Santos,a quem se deve a existência da colectividade. “Enquanto tiver pernas e cabeça, têm que me aturar”, prometeu Luciana Aguiar”. Gil Nadais considerou que “foram pessoas como a dona Luciana e o senhor Rui Aguiar (presente), “o motor permanente” que deu vida ao Cancioneiro. “É fácil criar uma má imagem”, disse o presidente, “mas é muito mais difícil manter uma boa imagem e o Cancioneiro manteve uma imagem de alto nível”. Silva Pinto, guardara da Assembleia Municipal, “umas folhas”, que lá não lera, onde queria realçar a “importância da celebração do cinquentenário da colectivade”. Guardou “o melhor bocado” para a ocasião. E, citando o padre António Vieira, disse: “Para falar à inteligência, são necessárias ideias. Para falar ao vento, bastam palavras, mas, para falar ao coração, são precisas obras”. E Silva Pinto não falava aos peixinhos, pois, virando-se para Gil Nadais, corolou a citação: “Espero que a Câmara Municipal saiba agradecer com obras concretas” o trabalho desenvolvido pelo Grupo. Considerando não ter sido a Câmara o comprador do edifício, entendeu ser obrigação dela, a sua preservação. Nas palavras de Silva Pinto, O Cancioneiro “foi a semente que fez germinar os outros grupos”. “Esperemos que haja terreno fértil”, pois, conforme sublinhou, “povo que não respeita os seus antepassados, não merece ser povo”.
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