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UM PAÍS DESENCONTRADO

por D. António Marcelino em Abril 16,2008

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Um país desencontrado da sua história, dos seus valores, dos seus projectos e capacidades, acaba por ser um país que se move aos encontrões e se governa por imediatos.
Cada dia se nos deparam contradições entre o que se diz querer para o bem deste país e o que, de facto, se faz por ele. Não sei se será uma fatalidade, uma inconsciência ou apenas, como é frequente entre nós, uma tendência facilitadora ante os problemas em campo e a dificuldade de os equacionar e lhes dar solução adequada.
Nos sectores alargados da justiça, da saúde, da educação, da economia, da segurança, da humanização social e da cidadania, há problemas que, mesmo a olho nu, todos nos apercebemos da sua gravidade. Assim parece-nos ver que andam por outros lados as maiores preocupações de quem nos governa democraticamente.
Prometi voltar ao tema família, um problema muito grave, ao lado de outros igualmente graves e urgentes. As mudanças sociais e culturais acabam por afectar sempre mais as instituições, sobretudo quando marcadas pela estabilidade natural e normal que as acompanha ao longo do tempo. Estas mudanças não são modas que passam depressa, mas algo que põe à prova a firmeza das raízes e a capacidade de resistências das pessoas afectadas. Trata-se de forças, muitas vezes orientadas e interessadas, que são difíceis de controlar e muitas vezes arrasam a própria família, minando os seus fundamentos e relações. Mas nem tudo é mau, porque o que se está passando pode ter alguns aspectos positivos que façam reflectir as famílias e quem luta pela sua dignificação.
Sempre a família foi considerada, daí a sua força natural e o seu valor social, como uma comunidade de vida e de amor, como célula fundamental da sociedade. Uma família normal nasce em clima de liberdade e de responsabilidade, numa cerimónia oficial e pública, num contexto de festa, presentes familiares e amigos, que podem testemunhar, depois, a concretização deste projecto de amor e a esperança que dele provém.
Logo, então, o Estado lhe reconhece direitos e deveres e conta, a partir daí, com uma nova entidade, indispensável pela rede de novas relações que provoca e por ser, no contexto que lhe próprio, razão de esperança e garantia de futuro, fecundo e auspicioso. Assim se, de facto, numa família a sério, ao contrário de muitas que já nascem mortas.
A modernidade, a que não faltam aspectos positivos, exacerbou o individualismo pessoal e sublinhou os direitos individuais de modo redutor. Logo a família se ressentiu deste novo clima de uma vivência pouco responsável. A natalidade diminuiu vertiginosamente, não apenas por razões económicas, e novas formas de convivência foram surgindo com estabilidade nula ou muito reduzida. O direito de cada um querer ser feliz, segundo o seu agrado e vontade, sem peias, de reivindicar direitos pessoais sem deveres ou com um mínimo de deveres, de proclamar, de modo unilateral, independência pessoal à revelia dos que dele dependem, passou a palavra de ordem para muita gente. Então, ao contrário do que seria normal, as forças de influência positiva, em relação à família, dispersaram-se e passaram a agir desunidas e em sinal contrário. O Estado corre através de leis a satisfazer gostos pessoais, a comunicação social aproveita-se do marasmo e atira para o público modelos de vida irresponsáveis, a própria família, desnorteada embarca em esquemas de facilidade. Na praça pública, aparece a Igreja a dizer que o caminho não é este e a proclamar, contra ventos e marés, que vida e amor são valores e projectos que vão além de gostos e emoções fugazes.
Em nome de um laicismo que nada tem a ver com uma laicidade correcta e com um pluralismo esclarecido e construtivo, o Estado legisla à margem de exigências, põe-se do lado de quem adultera e despreza valores e princípios, sem pensar que está a caminhar para a sua ruína e a arrastar no mesmo sentido muita gente. O que se está a acontecer, por força de leis, em relação ao casamento e à família, parece-nos de uma inconsciência sem limites. Outros não pensam assim. Mas, se a família tem o valor social que tem, torna-se urgente um diálogo construtivo e não uma tolerância vazia.


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