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FERMENTELOS: A QUEIMA DO JUDAS COM NOVAS TECNOLOGIAS

por PAULO SANTOS em Março 20,2008

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A sátira em Fermentelos perde-se na memória do tempo, com as chamadas “latoadas”, acção crítica porta a porta, aos maus comportamentos, defeitos e vícios das pessoas, assim publicamente chamadas à atenção. A actividade extinguiu-se, não se sabe bem porquê, nem quando. Este ano, será sábado à noite, às 23,30 horas.

Ao mesmo tempo, no adro, procedia-se ao rebentamento de um boneco, no final da missa da vigília pascal, coisa que não agradava ao pároco e provocou algum litígio. Estes factos levaram um grupo de amigos fermentelenses, amantes do teatro, a ressuscitar as “latoadas” e a queima do boneco, mas noutro formato - a Queima do Judas, agora no arraial e com sátiras desenvolvidas em palco, o que se verifica desde 1977, ininterruptamente.
EVOLUÇÃO: A Queima do Judas é realizada por jovens, que todos os anos renovam as críticas a defeitos, vícios e maus comportamentos dos concidadãos. Naturalmente, a queima do Judas tinha que evoluir, até por força do ambiente sócio-cultural e até económico envolventes, como da vivência multicultural da sociedade. As pessoas queriam mais, sentia-se que as críticas satirizadas eram muito viradas para os mesmos, que era preciso alargar o leque a outros vértices, alargar a recolha de elementos às terras vizinhas - que, aliás, trazem muita gente ao evento. Numa palavra, modernizar. Por tudo isto, este ano entendeu-se mudar significativamente o figurino, actualizá-lo.
SÁTIRAS: A crítica e a sátira, mantêm-se, tal como a acusação e condenação do Judas, mas serão acompanhados com recurso ao audiovisual, à interactividade com o público, com teatralização mais moderna. As panóplias de sátiras serão mais abrangentes, desde a população local, aos vizinhos, aos políticos, ao governo.
A particularidade e singularidade da Queima do Judas de Fermentelos manter-se-á, como o facto de ser feito de caras descobertas e a recolha do material se manter anónimo, nunca ninguém sabe quem deu à língua, quem pôs a “boca no trombone”, como costuma dizer-se, ou quem foi o alcoviteiro do vizinho ou amigo, são imutáveis.
A incerteza e a dúvida de quem vai estar em palco, qual a figura que representará o Judas, que “bocas” irão sair, quem será atingido pelos sátiras, são coisas que continuarão a manter a mística que enche este acontecimento, e é questão de princípio dos seus responsáveis.
Com as novidades do audiovisual, a interacção com o público e o fogo final inédito em Portugal, augura-se um bom espectáculo, fazendo uma viragem do modelo de apresentação da Queima do Judas de Fermentelos, sem lhe retirar as características originais.

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