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FERMENTELOS: CENTENÁRIO DA IGREJA MATRIZ E A MEMÓRIA DOS CONSTRUTORES

por ARTUR CARVALHAL em Maro 05,2008

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Os homens passam e a obra fica e foi o que aconteceu, entre "milhentos casos", também com a Igreja Matriz de Fermentelos que, nesta altura, está a comemorar o centenário de lançamento da primeira pedra.

A ideia de a construir já germinava na mente dos fermentelenses desde 1900, exactamente porque a Igreja velha, construída mais ou menos naquele lugar, já não comportava os católicos praticantes. Os fermentelenses foram sempre muito afectos à integrar-se na vida Cristã. Porem, como aliás sempre acontece com as coisas colectivas locais, não foi" pêra doce" a escolha do seu local.
Constituída em Janeiro de 1902 uma para o efeito, a comissão de obras percorreu a freguesia na aquisição de fundos e conseguiria ao tempo, vinte contos, ou melhor, a promessa de que seriam dados; a Junta de Freguesia venderia o sobreiral da subida, fariam adobes e iniciar-se-ia a nova Igreja. Porém, surgiu uma dificuldade: a escolha do local onde se erguera o novo templo!
E que uns queriam que a nova Igreja seja construída no mesmo local da velha, outros, que fosse no Largo da Senhora da Saúde. Formam-se, então, dois grupos “teimosos” (é o termo usado na narração de Artur Vidal). Faz-se uma reunião na Administração da Câmara de Águeda, teimam, teimam, mas não chega a acordo. Então, o cónego José Nunes Geraldo teve uma terceira ideia, que a princípio, mereceu o aplauso de todos: a construção da nova Igreja no Raposo (actual zona da Cacheira, porque muito nos temos debatido) mas foi sol de pouca dura, porque os seus apologistas, afinal, eram apenas os pretendentes da edificação na Senhora da Saúde. Ficara, assim, formados não os dois grupos mas sim três. Acabou por vencer o grupo afecto à construção no local da Igreja velha, aonde, aliás, ainda se encontra, mas em obras de inovação.
Finalmente, formou-se uma comissão definitiva, constituída por João Francisco Tomás, João Rodrigues Nunes, Gabriel Nunes da Rosa e dr. António Roque Ferreira, na altura os HOMENS FORTES DA TERRA, que tomaram, então e a peito, a construção da nova Igreja no local aonde se mantinha a velha e aonde não cabiam nem metade dos fermentelenses daquele tempo. Bem: foram compradas uma casas velhas, circundantes da também velha Igreja, pela Comissão e por José Francisco Tomaz, demolidas em 3 de Fevereiro de 1908 e em 23 do mesmo mês e ano foi lançada a primeira pedra.
Mas, efectivamente, é curioso o facto dos fermentelenses terem sido sempre muito divergentes nas suas atitudes e iniciativas, facto que comprova os diversos associativismos duplicados surgidos e a surgir através dos tempos. Mas, como da "discussão é que nasce a luz" será preferível a duplicação que o marasmo.
O centenário do lançamento da primeira pedra para a construção da Igreja não está a passar despercebido na vila, inclusivamente em reconhecimento aos quatro baluartes da terra, ao tempo, e todos quantos em seu redor contribuíram para a sua realidade.
É que os Homens passam, mas as obras ficam.
n Artur Carvalhal

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