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IGREJA: NOVO ANO DA IGREJA É DE RENOVAÇÃO PASTORAL
“A Igreja não é varandim cómodo para olhar e julgar os que andam na rua. Ela própria tem de andar na rua”, disse D. António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro, a propósito do Ano Novo da Igreja.
D. António Marcelino começa por referir que “não pode ficar em banho-maria o apelo feito por Bento XVI aos bispos portugueses, nem se pode pensar que já se disse tudo quanto havia a dizer”. “Mais do que dizer as coisas em muitos tons, parece que o importante é dar respostas de vida a apelos concretos, então feitos ou sugeridos”, comentou D. António. SP: Essa questão está, certamente, no espírito dos responsáveis da Igreja? DAM: Sei que está no espírito dos mais responsáveis. Se atentos, também de há muito se aperceberam que a bola de neve roda e não vai parar mais. Os leigos sentiram-se animados a prosseguir. Chegou até eles, de novo, a palavra conciliar, por muitos já esquecida, que os repôs no lugar próprio, com um estatuto de direito, que não de favor. SP: Haverá que insistir no sentido da sua vocação de cristãos. DAM: Insistir nessa vocação de cristãos d mundo para respeitar a sua autonomia, apoiá-los nas tarefas mais urgentes da sociedade, que recaem diariamente sobre os seus ombros, os alertá-los para que tomem consciência de que o seu primeiro e primordial espaço de apostolado não é o templo, mas a vida familiar, profissional e social. SP: Aí, terão de estar e... estão organizados. DAM: Exacto. Há que reler o catálogo dos seus direitos e deveres na Igreja, para não o esquecerem nem minimizarem e, também, para ver o que implica, por parte da hierarquia, cada um destes direitos - deveres dos leigos cristãos. SP: A mensagem evangélica, que para os crentes será o tempêro necessário das relações e actividades humanas e sociais, não permitirá esquecer o compromisso dos leigos. DAM: E estes deve ser exigentes para quem lhes proporciona, de modo acessível, a solidez da doutrina e o estímulo e conforto nos desafios que enfrentam. Deste modo, com os leigos, todos reconhecerão que a maioria dos problemas de hoje não tem apenas uma solução e que os valores sociais não são unívocos. SP: O espaço eclesial é, normalmente, pouco crítico. Não será ainda menos se quem nele actua conscientemente se sentir mais vigiado e temido, que reconhecido e estimulado? DAM: A Igreja não é varandim cómodo para olhar e julgar os que andam na rua. Ela própria tem de andar na rua, não de cruz alçada ou em cortejo de honras, mas para sentir, como próprias, as alegrias e as dores de todos, as injustiças, como desafios, a mentira, como acicate, os problemas que impedem as pessoas de viver com dignidade, como seus problemas, o compromisso dos que aí lutam, como a sua frente de luta permanente.
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