Página virada: o fim de um ciclo, 45 anos após a estreia
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Atrás, há 45 anos, SP teve a bondade de receber, em letras de chumbo, a minha primeira colaboração. Substituía o saudoso professor Elmano de Vasconcelos, o meu “pai” do jornalismo, que a morte levou logo depois. E fiquei eu: coordenador da página desportiva. Mais atrás, em Agosto de 1969, ficara a minha estreia em jornais, no “Independência de Águeda”. Seguia um caminho apontado por Elmano de Vasconcelos, meu professor da EICA, que me fizera convidado a partilhar escrita no “Botaréu”, o boletim/jornal da escola. Armor Pires Mota, depois, foi o meu mestre, na SP de 70! Levou-me o dever de Pátria a terras de Angola e por lá escrevi histórias e romanceei momentos de um tempo irrepetível, que fazia nascer um novo país. A 6 de Fevereiro de 1976 (estamos em vésperas de se completarem 39 anos), subiu o meu nome ao cabeçalho do jornal, como director adjunto de Jorge Castro Madeira. O momento era de desafios e de combates, na decorrência do Abril que (pouco mais tarde) quis “matar” SP, pela mão de alguns aguedenses que se diziam democratas. E não eram, afinal! Os anos galgaram-se no tempo e o jornal de 6 páginas, em 1970, ia nas 12, passou às 20, às 40, às 48!! Às 192 que abriram o ano centenário! Dos 800/900 assinantes ao mar de gente que hoje assina e lê SP. A reportagem, a crítica imparcial, a opinião plural, a notícia, a frescura da actualidade, foram criando cumplicidades e ganhando público leitor. SP cresceu, com directores como Jorge Castro Madeira, Horácio Marçal, Olávio Sereno, José Neves dos Santos e António A. Silva. Todos, ao seu modo, fazendo honra aos fundadores de 1979. E aos directores que os antecederam: Manuel José Homem de Mello e Albano de Mello. Ou Victor Cepeda Mangerão, os directores do meu tempo, antes de SP se tornar sociedade anónima. Em 1976. Os 45 anos que se passaram, desde a minha estreia em SP, tiveram momentos empolgantes. De crescimento e de afirmação, de paixão, de lutas com gente que nem sempre deu a cara, traiçoeira, cobarde! Combates vencedores! Momentos de afirmação e inovação na imprensa regional. Os tempos eleitorais, de que SP foi exemplo, com a edição de cadernos que foram novidade no país, em 1976 e até agora. A criação do suplemento Soberania dos Desportos, em Agosto de 1979, assinalando e laureando a então final da Volta a Portugal em Bicicleta em Águeda - a primeira, fora de Lisboa e Porto. E aí está o suplemento, muitas vezes imitado e plagiado, sempre vivo, actuante e actual, enquanto outros faleceram. As edições especiais de aniversários! Os cadernos das freguesias! A histórica passagem das letras de chumbo, na Casa do Adro, para a composição mecanográfica (em 1971). O ofsett! A modernização tecnológica. A introdução da cor! A formação de colaboradores! A primeira sede própria, em 1986! Muitos registos poderia juntar neste espólio de 45 anos, que teve momentos que ficam eternos na história e memória de SP. Os últimos 45 anos, os que vivi em SP (45 anos dos seus 136, um terço!) tiveram momentos epopeicos, empolgantes e também dramáticos. Ajudam a fazer a minha história no jornalismo de Águeda, sendo 40 como director adjunto de SP - nalguns casos acumulando com jornais como A Bola e Jornal de Notícias (a cujos quadros profissionais pertenci). Aos 45 anos de jornalismo activo, continuado e interveniente, “fecha-se” o meu ciclo profissional, com a convicção de dever cumprido e seguro que as glórias são passageiras, muito efémeras e redundantes. Que me entreguei a Águeda, nas páginas de SP, sempre de alma aberta, de peito feito às balas, com as virtudes e defeitos de quem, muitas vezes, fez do jornal a sua primeira família, o seu principal dever! Agradeço ao jornal e a todos os directores com quem trabalhei! Deram-me a liberdade de criar, de fazer de SP o melhor que soube. Agradeço a generosidade do número enorme de colaboradores e correspondentes que, nestes 45 anos, ajudaram SP a ser maior e melhor! Agradeço ao grupo de trabalho mais próximo, o profissional, que foi a minha segunda família deste tempo de combates e de trabalho - grupo que quis ser construtor e de criação, para que o jornal honrasse o propósito fundador de 1879. E, sempre primeiro, servisse Águeda. Soberania do Povo será a minha segunda casa de sempre. p CELESTINO VIEGAS
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