O Natal da "Velha Guarda"
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Venho de um almoço com a “brigada” dos reformados da então Escola do Ciclo Preparatório Fernando Caldeira, estreados de novo entre as décadas de 60/70 do passado século. Descobrimos ali para os lados de Alquerubim uma casa antiga, cheia de amplas salas, que realiza refeições festivas, quando marcadas com antecedência. Óptima cozinha, simpatícissimas anfitriãs. Sempre que há motivo para reuniões comemorativas, rumamos até lá, vindos cada um do seu canto. Desta vez, estávamos cerca de 30. É muito gratificante revermo-nos! Parece uma cantiga que tinha por nome “hoje meninas, amanhã mulheres”... (adaptando aos colegas homens a mesma circunstância....). Não é exagero falar em “meninas” quando da nossa estreia como docentes! Olhando para mais de 40 anos atrás, quase podemos dizer que o éramos. Hoje, todos somos avós, há cabelos brancos, algumas rugas, queixas de saúde, que então não havia, mas nos nossos encontros ainda se vêem olhos que brilham, risos imensos a evocar recordações. Era então uma alegria sermos professores, trabalharmos lado a lado, deixarmos em cada livro de ponto o sumário de cada aula, termos na nossa sala de professores o recreio que os nossos alunos tinham ao ar livre, tratar-nos por tu, do mais velho ao mais novo, do mais hierarquizado ao mais novato. Espírito de corpo, como nos escuteiros... Bons velhos tempos, como dizem nas capas dos meus CDs muitas das músicas que ouço hoje. Os nossos encontros (mudaste de penteado, tens-te metido nos hidratos de carbono, hem?, careca e de bigode branco! Isso é que a tua mala tem durado! E quando tínhamos salas de aula pegadas e nos ouvíamos nos nossos “calou?!”...), estes encontros são um reviver de muito do que vivemos juntos e a alegria da confirmação de que fomos úteis e ainda hoje, provavelmente, o somos... l E é Natal de novo. Festejemo-lo sobretudo nos meninos que para nós serão sempre os nossos netos, aquela garantia da imortalidade que nos darão enquanto nos não esquecerem. Eu sei que é assim. Os lugares vazios que “vejo” à mesa, mantenho-os na minha memória e na minha alma. É a vida a fluír, mesmo para os que já não festejam connosco. Boas Festas a todos!
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