Clube da Venda Nova: Natal é Natal!
Noticias Relacionadas
No existem notcias relacionadas a este assunto
Mais uma divertida reunião da selecção política de Águeda teve lugar no salão nobre do Clube. Ficaram acomodados nos cómodos cadeirões de veludo. À porta de entrada, surgiu uma vetusta figura de barba branca de algodão, capote e barrete vermelho, com aba e borlas brancas, calças vermelhas enfiadas nos canos de umas botas brancas de borracha, ajoujada com um saco enorme às costas. Depois de se apagarem todos os esgares de espanto e de curiosidade, os deputados reconheceram naquela estranha visão o presidente da assembleia, Xico” Vitorino, que chegado à mesa, falou: “Talvez os tenha surpreendido, mas Natal é Natal!” Foi aclamado, houve bulício e ele continuou: “Dentro deste saco, trago um presente para cada um dos tribunos - um fusi, um sequilho e uma cavaca – que mandarei já distribuir. Para o presidente Gil Pedalais, trago um bolo-rei de um quilo, que ele deve cortar às fatias e distribuir pelos edis, espero que não se alambaze e o coma com a devida etiqueta, não faça como da outra vez o Cavaco!”. O Armando de Óis, que estava na galeria e já há algum tempo se mostrava inquieto, gritou lá de cima: “Está a distribuir fusis e cavacas, mas os que estão aí na mesa precisavam era de uma fogaça, são os culpados daquela vergonha que existe em Ois, daquele vergonhoso aterro e dos buracos…”. O presidente Xico Vitorino levantou-se, arrancou a barba, desenfiou o barrete e interrompeu com veemência: “Não estamos na hora da intervenção do público, temos mais coisas para tratar, enquanto esteve cá em baixo, falou muito, agora aí em cima tem que ouvir e calar!”. “O assunto é tão grave – respondeu o Armando de Ois – que tenho que falar, se não rebento! Não sou revolucionário, mas até já fiz um apelo, lá em Ois, à subversão civil. Sei que não podemos tomar o poder, mas têm que nos ouvir. Para saberem o que custa, era bem feito que pusessem umas camionetas de terra na Ponte dos Abadinhos e escavacassem o piso, para ver como é que vocês passavam para o Sardão!”. E saiu porta fora. “Depois deste lamentável incidente, para mais em época natalícia, temos que continuar os nossos trabalhos – anunciou no Xico Vitorino – e não podemos deixar de nos regozijar com a visita da Embaixadora dos Emirados Árabes ao nosso concelho”. “Levámos a senhora embaixadora a visitar o pólo industrial do Casarão e ela ficou saudosa, com ar nostálgico, ao lembrar-se dos desertos do Rub’ al-Kali…”, informou o Gil Pedalais. “Mas prometeu fazer investimentos vultuosos no Casarão, com a construção de uma refinaria de petróleo, uma fábrica de tapetes árabes e uma de lavagem de areia para a construção”, acrescentou o João Piedoso, frisando: “Não se sabe é quando, já não será na nossa geração!”. “Mas, para isso, é preciso qualificar a mão de obra e estamos no bom caminho – continuou o Gil Pedalais - agora até querem dar-nos a primazia na municipalização do ensino e que o Clube tenha competência para tratar de todos os assuntos relativos às escolas”. “E que competências é que vão ser atribuídas ao Clube?" perguntou o Abrunhões, da CDU. O Gil Pedalais cofiou a barba, bebeu uma golada de água e respondeu: “Pelo menos vamos ser nós a nomear o porteiro. E quanto ao plano e orçamento, não vale a pena perder tempo a discutí-los, porque, como temos a maioria, já estão aprovados por natureza!”.
423 vezes lido
|