O depois de Sócrates!...
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A prisão preventiva de Sócratres, para muitos, é um alívio, para outros, uma tragédia e para outros tantos, uma alegria. E para o País?
É um alívio, porque, afinal, ainda existe uma almofada de esperança no modo de funcionamento da Justiça. Aparentemente, ainda tem uma venda nos olhos e a sua espada não olhou nem a nomes nem ao poder, quando se ergueu e caiu, pesada, sobre Sócrates. É uma tragédia, para outros, porque hipoteca, de forma imprevisível, o modo regular do funcionamento das instituições democráticas, partindo uma das pernas onde assenta a vida partidária, tornando-o coxo e ameaçando mesmo, fazer ruir todo este edifício que foi construído ao longo de 40 anos.
Corrupção e petróleo
O momento, infelizmente, para uns tantos, parece ser o de, à moda dos mujahidinis do Estado Islâmico, dispararem as suas kalashnikovs, em manifestações de alegria e de ódio. Já lá vamos. Mas, pergunto: Como irá ficar o País depois disto tudo? Ficará mais limpo? Não acredito, porque tenho a forte convicção de que a corrupção é um dos derivados deste petróleo capitalista que nos abastece. Porque o regime assenta numa alternância sem alternativa e está possuído por uma longa e complexa teia de interesses económicos e financeiros, representados por um exército de advogados bem instalados nos centros do poder e no próprio parlamento. Diria melhor: hoje, as instituições democráticas são um fato a corte e medida desses mesmos interesses. Se o PS não se aguentar nas canetas (uma hipótese bem real) e estando o PSD mergulhado num vendaval de escândalos e numa crise de credibilidade nacional, receio que aconteça o caos. Nos outros países do Sul, tem acontecido um fenómeno social que merece ser reflectido. Com o desagregar dos tradicionais partidos do poder, vêm emergindo alternativas anti-sistémicas, com fortes probabilidades de sucesso. Ou seja, a democracia engravidou, com um feto que ameaça nascer saudável e que garante a sobrevivência da família. Aqui, isto não aconteceu.
Coisa muito má
Os partidos à esquerda do PS, por razões históricas e de preconceito, embora crescendo (o PCP), ainda não ameaçam a hegemonia do bloco central e não se prefigura nenhum outro que, a médio prazo, crie algum sobressalto nos instalados. Coisa muito má! Receio que, para além do perigo da inexistência de alternância, ainda não exista alternativa (eleitoral, entenda-se e por razões anteriormente aduzidas) que salve, a tempo, Portugal do caos. Por isso, este ulular patético de alguns meninos da direita, que vai contaminando as redes sociais, deixa-me arrasado. Assistimos a um verdadeiro terramoto democrático e eles não entendem que as suas casinhas já abanam por todo o lado. Na sua sede de vingança e de sangue, satisfazem os seus instintos mais básicos, neste orgasmo de ódio e de chicana, sem perderem um minuto que seja, para reflectir sobre a tragédia que nos abala a todos.
Golpe feriu a democracia
Isto era previsível. Isto era necessário. Um tumor que tinha que ser extirpado, como muitos outros que existem e crescem, impunes. Mas não é motivo de alegria, nem de comemorações, porque o golpe, feriu, não só o PS, como toda a casa democrática. Não creio que o PSD ganhe, seja o que for, com este imenso escândalo. Este escândalo, não subtrai, apenas soma pontos na descredibilização partidária. São todos iguais, dirá a maioria dos eleitores, quando ainda se não evaporaram os gases fétidos dos vistos dourados, do BES e da Tecnoforma. Coisas de somenos importância, para a indigência tribal que, pelas suas cores, a tudo se subordina.
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