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Como no futebol, é preciso muito treino

por Luisa (dra) Mello em Novembro 12,2014

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Quando era menina e moça, as selecções do Reader’s Digest eram uma espécie dos documentários de agora, só que mais recreativos e menos fastidiosos.
Havia relatos, muitos na primeira pessoa, de acontecimentos de todo mundo, conselhos, receitas, anedotas das tais em que “rir” é o melhor remédio” - onde a graça teve origem. Lembro-me de uma que me divertiu imenso e ainda hoje me diverte…
Contava que em Chicago, após dois ou três incêndios em que as bocas de água haviam falhado, reuniu a vereação, a ver como obstar à coisa. Que isto e mais aquilo e aquilo mais, nada aparecia de muito satisfatório e urgente, até que um edil, ainda novato, resolveu o problema, com geral acordo e aprovação dos demais:
“Verifique-se cada uma das bocas de incêndio, três dias antes do incêndio!”
Brilhante.
E a que propósito vem tão antiga recordação, ainda por cima em ano em que, graças a Deus, ao tempo e talvez à feliz diminuição de taras pirómanas, nos não deu tantas aflições incendiárias assim?
A propósito do “fumo e do fogo” dos começos de ano nos Tribunais e nas Escolas, apetecia recomendar aos ministros e respectivos staffs que verificassem a eficiência dos meios a empregar por cada fogaréu que é sempre aceso, neste meu adorado país, quando pretendem, bem ou mal, reformar qualquer coisa.
Paula Teixeira da Cruz e Nuno Crato pediram públicas desculpas - o segundo ainda mais educadamente que a primeira - mas a verdade é que a coisa, se não ardeu de todo, deixou cá fumarada que ainda vai custar a enxotar. Verifiquem se as electrónicas aguentam tanta e tão variada comunicação, informação, imposição!!!
Três meses antes, não três dias!
Como geração de sábios nas diversas funções comunicacionais - saíu-me ao modo da dra. Assunção Esteves!… por ecrã, crêem naturalmente que o carregar nos botões é infalível, certo, seguro, exacto, cem por cento. Não é, tal como com os humanos, errar é também robótico.
Apetece lembrar aos crentes de semelhante “igreja de iluminados” o que alguém lá de outro tempo, cuja identificação agora não me ocorre, talvez Freud, que “o medo do passado era que os homens se tornassem escravos e o medo do futuro é que os homens se tornem autómatos”. Bem achado…
Tenho a minha neta, Luísa como eu, a trabalhar em Inglaterra, em fábrica da Bosch. Formou-se na Universidade do Porto, em Engenharia de Gestão Industrial. Fez Erasmus no Rio, estágio na Bosch de Cacia, defendeu tese na sua Faculdade e com 17 de nota. Ingleses que por cá vinham visitar a sua fábrica de estágio, convidaram-na para trabalhar na unidade de Birminghan, mesmo antes de defender tese.
Para mim foi um orgulho, não por ter uma neta emigrada mas porque foi convidada a emigrar. Mais ainda, que sou acérrima defensora do ensino público: Águeda forneceu-lhe o ensino pré-escolar nas Chãs, o ensino primário na P3, o Ciclo Preparatório na Fernando Caldeira, o Ensino Secundário, do 7º. ao 12º. ano na Adolfo Portela. Grande aluna, grandes escolas, grandes colegas e professores. Bem hajam! n  LUÍSA MELLO
n  PS: As minhas desculpas pelas confusões do meu antepenúltimo texto de 22 de Outubro! Escrevo à mão e nem sempre poderá haver tempo para me decifrar.

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