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Postal da Semana: Janela de Lisboa

por Eduardo Costa em Outubro 30,2014

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"Grande parte dos empresários viveram sempre à sombra do Estado, ainda vivem e querem continuar a viver, são dependentes do Estado...".
Ao dizer isto, na sua melhor intenção, o conhecido sociólogo e ex-ministro socialista Antonio Barreto, na sua experiência de 73 anos, diz uma coisa preocupante: para estes, Portugal é a rua que vêem da janela  do seu confortável gabinete, numa ilustre rua de Lisboa!
A quase totalidade das empresas produtivas portuguesas são pequenas e médias (...poucas). Uma forte maioria tem menos de 10 trabalhadores e, com mais de 50, são poucas.
O que leva os nossos eleitos, na sua boa fé, a considerar que a PT, o BES, o Pingo Doce e outras grandes corporações, são a "grande parte dos empresários"? É deveras preocupante o desconhecimento do país, por parte dum político que dedicou décadas da sua vida a servir,  enquanto eleito. O doutor António Barreto vai acabar a sua carreira sem conhecer o país a que dedicou a vida, para além dos confortáveis corredores da capital.
"Portugal é Lisboa e o resto é paisagem!" Esta expressão muito popular (infelizmente...) continua muito actual.
Tem sido reconhecido que as exportações foram e são a tábua de salvação da recuperação dum país que faliu. Também é reconhecido que os pequenos e médios empresários e seus trabalhadores foram e são os heróis da recuperação. Não é menos reconhecido que esta vocação exportadora vem, em grande parte, das pequenas empresas produtivas, sobretudo dos sectores tradicionais.
O senhor doutor António Barreto vai compreender a minha ousadia de corrigir o que afirmou. O que devia dizer era, nem mais nem menos do que isto: "Grande parte dos grandes empresários viveram sempre à sombra do Estado, ainda vivem e querem continuar a viver...".
Porque os pequenos empresários e os seus trabalhadores, destes vive o Estado e a recuperação do país no seu mais difícil momento dos últimos (quase) 100 anos!

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