Clube Venda Nova: O funicular
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O aparelho do Clube promoveu mais uma conferência de imprensa aberta, para propor ideias novas para a cidade. O Gil Pedalais, com a medalha com que o laurearam em Bruxelas na lapela, iniciou com entusiasmo um discurso apologético: “Como sabem, Águeda desenvolveu-se muito desde que está nas nossas mãos. Tem mais rotundas, mais vias cicláveis, mais jardins... e agora a ideia inédita de pendurar chapéus nas ruas, o que trouxe à cidade milhares e milhares de turistas de todas as terras do país e do estrangeiro”. “Na verdade – continuou a Excelsa da Corga – o chapéu que é de sol, transformou-se num ícone da cidade, a Manuela dos Cacos, o Paulo Rinodente e o Egberto das Canas têm vendido milhares de pequenas placas com íman, para enfeitar os frigoríficos, com a imagem do chapéu”. O Luís Pedro Shangrilá interrompeu, abespinhado, e fez um reparo: “Só não se entende porque só penduram os chapéus na baixa, só pensam no espaço entre a Rua de Cima e o rio e desprezam completamente a alta”. “É precisamente por isso que aqui estamos – esclareceu o Jorge Enfermeiro – vamos arranjar meios para animar também a alta, levar-lhe movimento e dá-la também a conhecer... “. “Já experimentámos pôr bicicletas à disposição, mas não deu grande resultado, porque as ladeiras são íngremes e as pessoas não estão para se esforçar muito – interveio o João Piedoso – pensámos em motorizadas, mas desistimos, porque podiam acelerar, irem com elas para casa e ninguém mais as via...“. “Depois de muito refletir e de consultar vários especialistas, até estrangeiros, chegámos à conclusão de que a única forma expedita de unir a baixa à alta da cidade, será um funicular, ou seja, um ascensor que será montado junto à biblioteca, com um cais de embarque junto ao mercado, um apeadeiro junto às hortas municipais e o cais de desembarque junto à Universidade”, disse Pedalais. A Isabel Moreia não se conteve e saltou da cadeira: “Grande ideia, sim senhor, os turistas iam ter uma panorâmica sobre o extraordinário desenvolvimento agrícola ao passar por cima das várias quintas ali existentes, arrendadas a empresários ativos e dinâmicos, que exploram a couve galega, o feijão carrapato e a abóbora menina...”. “Mas é evidente que ninguém pode levar o estrume para as hortas dentro daquilo, poxa!”, murmurou o Zé do Candeeiro, com ar grave. “Mas – continuou o Gil Pedalais, a afagar a medalha – também pensámos numa alternativa, que era a instalação de um carro eléctrico, sem condutor, para transporte de pessoas entre o mercado e a GNR, mas isso traria encargos incomportáveis por causa dos carris, porque teríamos que voltar a esventrar as ruas todas e tinha que ir dar a volta ao Gato Preto...”. “É melhor manterem a ideia do elevador e deixar a do eléctrico, que embaraçava o trânsito e os ciclistas escorregavam nos trilhos e esmurravam-se todos”, opinou o Jorginho Gosta. O Poeta Catula foi escrevendo um poema no seu caderno de notas e, no final, pediu licença para o declamar: Vamos ter um funicular Da alta até ao mercado Mas para lá bem cheirar Não pode transportar gado E não será bom costume Nele levar estrume Nem animais Para as hortas municipais. E não digo mais!
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