O mundo aos trambolhões
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Chego de dois meses de férias. Se assim lhes posso chamar, que isto de andar de um lado para o outro (obrigações conjugais…), aqui isto, ali aquilo, aqui mar, ali campo, aqui calma, ali confusão, são tudo quanto há de mais contrário à minha natureza calma e organizada. Como dizia Alexandre O’Neil, ao meu modo funcionário de ser… Estou já na minha zona de conforto, que é o meu cantinho de Águeda, a vida habitual. O Verão, até nem foi mau: o calor, que eu detesto, deu-me algumas tréguas, a angústica dos incêndios foi mais suava. A fatal praga de Julho patenteou-se na falência estrondoso do BES - da qual já falei, e, se outras coisas me espantaram, não tenho nada a ver com esse “departamento”… Só posso comentar que nunca imaginei poder vir a sentir um laivo de simpatia pelo Tozé… Ponto final, parágrafo, que, na casa dos outros quem fala e quem manda são eles! n BARBARIDADES: Mas o Verão trouxe também coisas péssimas, preocupantes, pavorosas mesmo. Guerras de barbaridade medieval, ou, se pior ainda, dignas de um Átila, o tal que dizia que por onde passavam as patas do seu cavalo, a erva não crescia mais. Israel-Palestina foi o cartão de visita. Clamam as alas bem intencionadas que tentam pôr água na fervura: haja conversações, para que se delimitem dois estados independentes, onde os vizinhos vivam em paz! E conversar quem com quem?! Convenho que a questão dos colonatos judeus encravados em território palestino possa dificultar diálogos proveitosos; mas, verdade verdadinha: se Isarel não fosse a potência militar que é, já o Hamas e outros grupos facínoras de maus bofes associados os tinham passado todos a fio de espada, lapidado, enterrado vivos… Não é só uma guerra territorial, é, e se não principalmente, uma guerra religiosa. Parece que o Islão “acordou” para o velho método de levar tudo a fio de espada. Nem quero imaginar semelhante gente com armas mais poderosas, a entrar por onde bem lhes apetecesse, meu rico pescoço, e menos mal se a morte fosse “apenas” essa. Mandam para a comunicação social amiga (ocidental, também e não tão pouca assim…) a notícia de, em guerra, morrerem muitas mulheres e muitas crianças. Como se as mulheres e as crianças tivessem por eles sido acauteladas em bunkers! Estão onde estão os seus homens. Por isso morrem com eles. A guerra é a coisa mais injusta que pode haver; matar em nome de Deus (e eu aceito-os todos desde que pacíficos e tolerantes), é uma aberração sem nome. O que vale para judeus e palestinos vale para sírios onde lutam maus contra péssimos e péssimos contra maus. O medieval/contemporâneo Estado Islâmico não é mais que um agrupamento de salafrários desalmados e desumanos, indignos de viver em qualquer lugar onde o século XXI, com todas as suas virtudes e mesmo defeitos seja, ainda que minimamente, digno do nome de civilizado. (Salafrário: reles, safardana, patife, biltre, infame, vil”. Dicionário Porto Editora). n HAMAS: Gosto muito de ler bons jornais e colunas de opinião (não todas, confesso…). Um dia destes saiu-me o Miguel Esteves Cardoso com esta que transcrevo e assino por baixo: “Por cada cem israelitas que querem, um Estado da Palestina, quantos palestinianos querem Israel ao lado da Palestina? Um. Só os mais inteligentes e humanistas. Felizmente, ainda são bastantes. Mas não são do Hamas. É preciso escolher Israel - tanto pela causa de Israel, como pela nossa. O resto é cobardia, desprezo e estupidez". n UCRÂNIA: Há ainda a invasão da Ucrânia pela Rússia, a lembrar velhos vícios soviéticos… A boa e retalhada União Europeia está à espera que os americanos se metam ao barulho para lhes chamarem, depois, todos os nomes feios e do vocabulário desta nossa Torre de Babel… Oxalá não metam, que como diz o outro, quem se mete com canalha acorda molhado… E que nome vou eu dar ao Putin?! n LUISA MELLO - 9-9-2014
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