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Macieira de Alcoba: Romaria a Nossa Senhora da Guia e o Milagre d'Urgueira
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A Associação Etnográfica Os Serranos volta a organizar, a 24 de Agosto, a romaria tradicional a Nª. Srª. da Guia, com o formato de festival em que o folclore serrano é evocado, mas sobretudo vivido no seu ambiente.
O envolvimento da comunidade da União de Freguesias do Préstimo e de Macieira de Alcoba é mais intenso, constituindo uma parceria reforçada nesta organização. Mas também se realça a participação religiosa com a grande missa campal, em frente à ermida da Senhora da Guia com o brilho das vozes de Macieira de Alcôba e a presença já habitual do Centro de Amizade Macieirense. Os elementos de Os Serranos voltam a mobilizar-se para dotar o Parque da Srª. da Guia com as condições necessárias à recepção de milhares de visitantes, numa aldeia que apenas conta com pouco mais de uma dezena de residentes. A gastronomia está sempre presente como parte desta reconstituição, sendo alguns dos momentos abertos à participação de quem se queira inscrever. Na sexta-feira, dia 22, o almoço é o habitual cozido serrano, debaixo da sombra e ao som da brisa que roça nas agulhas dos pinheiros e nas folhagens dos sobreiros e dos carvalhos. O domingo, 24 de Agosto, amanhece para ser grande. Hão-de vir milhares de romeiros com os seus farnéis e sete grupos de folclore de diversas regiões do país, com nortenhos de Lousada, vareiros de Ovar, de Cidacos ali para os lados das terras de Santa Maria, serranos de Vouzela e de S. João do Monte, pescadores de Quiaios e de Peniche, para encher de vibração as três eiras onde o povo se apinha, para ser também parte daquela festa, por direito e por desejo. A missa, ao meio-dia, concentra o pico da celebração e estende-se como a procissão que leva a Senhora da Guia ao longo do parque e em torno do forno, dando a bênção aos romeiros, aos seus farnéis e bendizendo a alegria comunitária do povo serrano, elevada à categoria de dom e que deve ser preservado e tomado como se fosse o oitavo sacramento, tal é o seu valor espiritual. Na volta ao forno, faz-se a ligação dos rituais que usam o pão como alimento e como símbolo sagrado das suas tradições. Depois desta sagração, chegará a altura de entrar o homem no forno, para meter a broa grande e consumar o acto corajoso, apenas vencido com grande respeito pelas forças da natureza e também respeito pelo significado místico do pão que alimenta o corpo e a alma. Talvez por isso o povo lhe tenha chamado “o milagre da Urgueira”.
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