Opinião Própria: Quando a Justiça desprestigia a Ordem e o Ensino, está criado o caos!
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A televisão no dia 08/07/2014, deu-nos a notícia de que uma professora havia sido julgada e condenada a cinco anos de cadeia e dezenas de milhares de euros de indemnização, por ter maltratado alguns dos seus alunos. Dias antes, noticiou que um polícia, ao perseguir assaltantes, atirou e matou um menor, filho de um deles, que seguia com o pai no carro do assalto, e foi condenado, a dez anos de cadeia e larga indemnização à família do morto. Dois casos diferentes, mas cujas raízes têm grande parentesco. No primeiro caso, eu não ouso acreditar que um coração de mulher e, talvez, também mãe, ainda para cúmulo professora, seja capaz de ferir uma criança (a notícia não deu a idade dos alunos, nem as razões pelas quais a senhora terá feito tão odioso crime), ou se ela (professora) não teria sido agredida, como tem acontecido tantas vezes!
O cinema e a televisão
A tão bombástica notícia levou-nos a fazer um esforço de memória para comparar e, em muitas dezenas de anos, não nos recorda de sentença tão grave, em casos desta natureza. Eu teria nove anos quando vi o primeiro filme, em 1928/1929. Todavia, criança precocemente feito homem, nunca esqueci o espanto com que vi aquelas imagens a preto e branco, nem o privilégio que o cinema poderia trazer à sociedade. Mais tarde, porém, ao verificar que os realizadores estudavam o crime ao mais insignificante pormenor, para o exibir e conseguir fortuna, fiquei revoltado com os muitos milhões de crimes que se iriam praticar, ao longo do tempo, por imitação e aprendizagem copiadas desses filmes. Depois, quando apareceu a televisão, fiquei ainda mais apavorado, pois se para ver cinema é preciso sair de casa e comprar bilhete, a televisão entra nas casas e é vista por crianças e jovens. E, se o cinema faz dinheiro a vender más imagens, a televisão faz o mesmo com anúncios e frases, aproveitando as más notícias e escândalos que têm sido as causas principais da actual degradação social. Seria aterrador saber dos milhares ou milhões de inocentes que destruiu e condenou à cadeia e, também, os milhares de criminosos que salvou e, com isso, agravou os males do Mundo!
Uma missão educativa
Nunca me agradou falar de mim e procuro, sempre que é possível, substituir o “eu” por “nós”. Mas hoje, revoltado por aquelas bombásticas notícias e, sobretudo, com as gravíssimas sequelas que advirão para as duas corporações atingidas, sem dúvida das mais importantes para a Sociedade, posso afirmar que me sinto perfeitamente capaz de falar da educação, porque comecei a fazê-lo aos nove anos, na minha escola primária, como agregado gracioso do meu professor que, muitas vezes, me entregava as classes mais jovens, enquanto ele se encarregava da terceira e quarta classes. Depois, a minha vida de 70 anos de industrial foi, simultaneamente, uma missão educativa, com milhares de operários, de cuja juventude fiz homens válidos e, alguns, industriais de grande gabarito. E fiz tudo isto com um prazer que me leva a afirmar: Quem não souber e, sobretudo, não tiver vocação para ensinar, nunca poderá ser um bom comandante!
Professores e polícias
É com esta prática que ouso duvidar que aquela professora possa ter feito mais do que querer cumprir o seu dever; e fez aquilo que, concerteza por comodismo, ou medo, a maioria dos seus colegas já não faz porque: 1 - A política tem destruído a família e a sociedade, com as leis e práticas que mais convém aos seus desígnios e, para conseguir esses objectivos, desautorizou os pais e professores; assim, ajudou a criar a situação social em que vivemos, com eles (pais e professores) a demitirem-se de educar e os polícias a voltar as costas aos criminosos, com medo das incoerências da Justiça. 2 - Porque ela, “Justiça”, é coisa demasiado importante para ser ministrada por jovens com 26 anos, sem mais experiência do que estudar e, muitas vezes, infelizmente, oriundos de famílias (?) sem qualquer fundamento indispensável àquela nobre profissão! É impossível ensinar ou educar (no significado integral destes vocábulos) se o educando não tiver autêntico respeito pelos educadores e a falta aos seus deveres não puder ser castigada com a severidade que ela exige, no minuto próprio que, a maioria das vezes, deve ser imediato à prática do acto. Afirmo convicto que, sobretudo dos cinco aos dez anos, o medo de “um bom açoite” dos seus pais ou educadores é quase indispensável aos jovens, ao contrário do que os modernos e dogmáticos líderes educadores aconselham.
Educação e saúde
A educação dos jovens e a saúde seriam, sem nenhuma dúvida, os problemas mais cruciais a resolver prioritariamente, se os homens que comandam os destinos dos povos o fizessem, para o bem dos cidadãos! Se, por milagre, viesse o tempo de os cidadãos que comandam o mundo ficarem inteligentes e puros de espírito, o primeiro dia deveria ser dedicado à saúde e educação dos jovens e à sua habituação ao sacrifício e trabalho, sem os quais a sociedade não vive mas que a muitos não agrada, porque a política lhes permite que eles vivam à custa dos que trabalham. Mas isto nem por mera hipótese vai acontecer, porque é este tipo de sociedade que “os corruptos implantaram” e tem vindo a aperfeiçoar constantemente, até ao pormenor, para servir os seus interesses, e neste programa se insere a destruição da família, a desautorização dos pais e professores e a desresponsabilização da juventude! E, para criar esta caótica situação, tem contado, infelizmente, com a maior parte da comunicação social, como é evidente também nestas duas situações: 1 - No caso da professora, não explicitou a idade nem a grandeza das ofensas (?) nem as razões que houve da sua parte, que até pode ter usado do direito legítimo de se defender. 2 - No caso do polícia, não explicitou que o carro era conduzido pelo pai do ferido, que possivelmente ia deitado e que o agente queria alvejar a roda do carro e não para matar. Destes incidentes, porém, com toda a certeza humana, resultará: 3 - Que a polícia ficou ainda mais inibida de perseguir os criminosos... 4 - Os professores ainda menos vocacionados para ensinar… E…, finalmente, que tudo isto agravará a situação desta desnorteada sociedade, da qual, a grande maioria não tem a menor noção da dignidade, da Justiça e do Amor! n ALMEIDA ROQUE
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