Política e futebol... ...a caminhar de mãos dadas!
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A política e o futebol caminham de mãos dadas. Nem admira que seja assim, pois há um parentesco nos modelos e objectivos e, mais ainda, de ausência da prática de deontologia. Por estas razões, as actuações da nossa selecção estão em paralelo com a nossa política. A falta de responsabilidade cívica, da qual a grande culpada é a actuação corporativa da organização social, é que conduz à defesa dos seus agrupamentos. Os grandes culpados desta organização são a falta de Verdade e de Justiça e, sem estes dois predicados e sacrifício, não haverá Dignidade. A minuciosidade com que os políticos delimitaram, legislando, todas as acções que os cidadãos podem exercer livremente, roubou-lhes a identidade criativa, concorrendo, assim, desumanamente, para a sua massificação.
Futebol e política
A organização do nosso futebol está completamente podre, porque é corrupta a sua forma organizativa e, dentro destes parâmetros, o que está podre, devia ter um destino: lixo e desinfecção… O mesmo devia acontecer aos presidentes da Liga e Federação e a toda a sua organização administrativa que, ignorando o bom senso e os preceitos desportivos, e outros, fizeram dezenas de milhares de quilómetros de viagens, quando deviam ter voado directamente ao Brasil, para treinar e fazer adaptação ao clima, até porque estávamos em fim de época desgastante. O resultado de tudo isto foi que grande parte dos jogadores ficaram inutilizados fisicamente e, por castigo, logo no primeiro jogo! Causou-me a maior impressão, depreciativa, o desembaraço e determinação com que o “senhor seleccionador” abraçou, ao findar o último jogo, todos os seus jogadores, como a dizer-lhes, e fazer acreditar a quem viu, que eles foram heróicos e que a culpa de todos os males foi o azar e os imprevisíveis futebolescos! Em minha opinião, depois de tanta incapacidade, por vergonha e dignidade, deviam todos demitir-se! Infelizmente, parece que tudo ficará na mesma, aliás de acordo com o que é normal, no futebol e não só! Nos arraiais políticos, as situações são análogas: os partidos não se entendem uns com os outros e, mesmo no seu interior, a ansiedade pelo poder e a falta de um objectivo comum que, por dever, seria o País, mas que, objectivamente, são os seus interesses próprios, leva-os às lutas que desnudam, a sua total falta de dignidade!
Exemplo socialista
Para merecer o nome de político, o cidadão tem de fazer convergir a sua acção a favor da Sociedade e a sua conduta deve ser digna em todas as situações, porque o seu exemplo extravasa para os cidadãos! E que chocante exemplo, do contrário, está dando o Partido Socialista onde, desmentindo-se uns aos outros, vem ainda os seus varões atiçar a fogueira, em vez de, com bom senso, ajudar à sua extinção. Abateu-se sobre o mundo mas, sobretudo, sobre a Sociedade Ocidental, uma mediocridade social e política que não é mais do que a corrupção, gerada pela indesmentível ausência dos ideais que sublimam a vida humana! São esses ideais que dão aos cidadãos a coragem para o sacrifício, que, ao contrário do que parece, são a verdadeira alegria, representada pelo Amor a Verdade e a Justiça, trilogia que, na sua totalidade, assenta nos cuidados inerentes a tudo o que é belo!
Ensino sem sacrifício
O Ocidente esqueceu a sapientíssima Igreja Católica, que teve o engenho de inventar o anjo do mal, que castiga os cidadãos que não cumprem a Lei e, ele (Ocidente) tudo tem feito para afrontar as Leis da Natureza, acenando àqueles (cidadãos) com uma vida sem sacrifício, como se ela (vida) fosse possível sem ele! Foi por estas razões que os títeres da educação inventaram o ensino sem sacrifício e disseram aos jovens que eles tinham direito a tudo, sem nada darem em troca. É por isso que, depois, damos conta de uma juventude avara a dar o seu devido esforço a favor da Sociedade, que a enganou porque: - Devia tê-la habituado, lentamente e de acordo com as suas possibilidades, a sacrificar-se para, mais tarde, não se sentir revoltada! - E prepará-la, para entender que a vida, mesmo a mais normal, é feita de tempos bons e menos bons e de alegrias, mas também tristezas. Falta à sociedade portuguesa, genericamente, sobretudo dignidade e humildade e mais uma vez somos forçados a igualar a política ao futebol. Os nossos jogadores apresentaram-se ao mundo como um cortejo folclórico de cabelos, barbas e tatuagens e fizeram a má figura de todos conhecida!
Milhões a passar fome
As várias organizações sociais e políticas, com alto relevo para as autarquias, algumas em falência e quase todas altamente endividadas, objectivaram-se para um cortejo que parece não ter fim, de festas e festivais, que dão ao mundo uma clara visão de um país rico e feliz, embora os meios de comunicação clamam diariamente, que há milhões a passar fome, dezenas de milhares de doentes que não têm dinheiro para aviar as receitas médicas, outros tantos milhares que nos hospitais, não são tratados porque as farmácias hospitalares não fornecem os medicamentos adequados à doença de que sofrem, milhares que desesperam meses à espera por uma operação oncológica etc. etc. Uma pergunta final: como se poderão equacionar tantas e tão graves incoerências!? A resposta, em forma de clamor, veio dos ante-referidos deserdados da sorte. Na falta de Amor, Verdade e Justiça, dos que não respeitam a tragédia dos que sofrem, nem têm em conta os sacrifícios dos que são obrigados a pagar os impostos, tantas vezes injustos! n ALMEIDA ROQUE
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