Opinião Própria: Seguro de vida à…direita
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A República está num impasse. Ninguém acredita nela, mas não se vê como fugir ao dilema do depois. Estas eleições europeias acrescentaram gasolina ao fogo. O PS celebra a vitória mais dolorosa que algum dia teve. A direita saboreia, com prazer, a sua derrota mais catastrófica de que há memória. A CDU vai crescendo, os ramos vão brotando belas flores, mas os frutos tardam em aparecer. Marinho Pinto desfraldou uma bandeira que ninguém conhece, revoltou a voz e foi eleito. O povo, na sua imensa maioria, sangrado e sofrido, mandou tudo às malvas e ficou em casa. A direita sorri, carregada de malícia. Só um quarto dos votantes teve a coragem de lhe acrescentar uma cruzinha. Pouco mais de metade da soma das percentagens obtidas pelo PSD e CDS nas legislativas. Um enorme desastre. Mas ela mantém aquele brilhozinho nos olhos, porque percebe que o PS, com menos de 32% dos votos expressos, está num beco sem saída. Amarrado à troika e aos seus desmandos, cúmplice involuntário desta vergonha nacional de colónia irremissa da Alemanha, Seguro gesticula novos mundos e promete novos fundos. Poucos acreditam, porque o pântano europeu é largo e fundo e não há como sair dele. Estando proibido de se unir à sua esquerda pária, só lhe resta o caminho do entendimento com a direita, numa comunhão de votos matrimoniais a celebrar pelo Cardeal Supremo, Cavaco Silva. Um casamento de interesses, onde o interesse maior, o do povo português, não tem cabimento. Mas este casamento anunciado será um desastre. Um desastre para a República, um desastre para o PS e um desastre para o PSD. Uma soma aritmética com resultado muito negativo. Para o PSD, afinal, é vital que venha esse casamento, ligado que está à máquina, em estado comatoso e quase vegetativo, à espera que o Cardeal Supremo lhe desligue a máquina. Mas Ele não o fará, porque o candidato ao trono sofre dos mesmos males do doente e a República, anémica e prostrada, poderá não resistir. Prefere unir o noivo moribundo à noiva anémica, já sem esperança de descendência. A vitória pírrica de Seguro foi a melhor notícia que a direita poderia ter. Uma enorme consolação para a sua tragédia eleitoral. Seguro consubstancia os adesivos que o ligam ao poder e retira espaço de afirmação a outros pretendentes ao lugar, como António Costa. Que alívio!, terá suspirado a coligação. Que tristeza!, pensaram os 74% dos portugueses votantes, ansiosos pela mudança… Quem nos salvará? Acima dos Pirinéus, elevam-se imensas labaredas, com a extrema-direita incendiária a ulular ameaças, Marie LePen a vencer na França, os eurocépticos ingleses a triunfar no país de Sua Majestade e as hordas nazis a espalharem-se pela Dinamarca, Áustria, Hungria e até na própria Alemanha. Terrível! Uma Europa à beira do colapso, como afirmava um comentador da France 24. Destas eleições, surgirão novas tendências bem menos unificadoras e solidárias no Parlamento Europeu, com restrições mais severas à emigração e não nos esqueçamos que esta política de direita mandou para lá para fora, em menos de três anos, mais de 200 000 dos nossos melhores jovens. Com a crise na Ucrânia e o esfarelar deste fraco cimento partidário que pretendia dar consistência ao edifício Europa, é de esperar um novo abalo financeiro, outros abalos políticos e as nossas contas publicas a gelatinar de novo. n NELSON LEAL n PS: Não poderia deixar de registar e congratular-me com a eleição de Miguel Viegas, candidato da CDU para o Parlamento Europeu, oriundo do distrito de Aveiro, jovem e brilhante professor da Universidade de Aveiro. n NL
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