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Nunca ia vender coisas numa banca rota…

por Redacção Soberania em Maio 21,2014

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Abriu mais uma época de caça... ao voto. Melhor do que a casa às perdizes e aos coelhos que é egoísta por só dar prazer aos caçadores, esta entretém o colectivo. Pelas ruas, praças, feiras e mercados, andam séquitos de vendedores de ilusões, caciques e catequistas.
À frente, as figuras de proa, a distribuir beijinhos repenicados e chôchos nas velhinhas que lhes estendem cara. Atrás, os sequazes, com bandeiras e bandeirolas e, como não há dinheiro para aventais e esferográficas, distribuem pagelas policromáticas, com ditos e slogans floreados. Também passaram pelo mercado de Águeda.
Um feirante que estava numa banca  a apregoar umas calças de alpaca inglesa, feitas de fioco alemão e burel da Serra da Estrela, foi abordado pelo grupo e perguntou:
“O que é que andam a fazer, já passaram por aqui outros com bandeiras e emblemas de outras cores.Vocês não têm que fazer?”.
“É por causa da Europa...”.
“Eu quero lá saber! - resmungou o vendedor – eu não sou do Benfica!”.
De súbito, esgueirando-se entre as pessoas da feira, surge a correr, colérico e enervado um homem que clamou:
“Eu estive para atirar com a bandeira na cabeças de um – disse, dirigindo-se a outro feirante – sabes o que eles me disseram? Que eu já estive com a banca rota e que eles é que a consertaram. Fiquei danado, tu sabes que eu sou um homem asseado, nunca ia vender coisas numa banca rota, até me caía a roupa no chão! E não me consertaram nada, o que eles querem é dinheiro....
O Gil Abredepois serenou os ânimos com um gesto e palavras macias e esclareceu:
“Tenha calma, tudo não passa de um mal entendido, a banca que estava rota não era a sua, era outra! Andam aí em campanha para o Parlamento Europeu, que é uma sala muito grande, onde se juntam centenas de pessoas de vários países que ganham muito dinheiro e um dos objetivos é eleger o comissário”.
Ao ouvir a explicação, o feirante ainda se mostrou mais incomodado:
“Comissário? Só conheço os da polícia, que andam atrás de nós por causa das marcas da roupa!”.
Como houve altercação, os políticos saíram da turbamulta com as bandeiras às costas e os tamborileiros  à frente.

*** * ***
A Isabel Moreia, eminência dos Lions,  reuniu com os seus pares para prestar uma justa homenagem ao companheiro de grande mérito, Dr. Gomes das Barreiras.
“Acho que esta ínsigne pessoa merece um tributo público e nada melhor do que organizar um almoço...”.
“Eu penso, contudo, que um almoço ou um jantar não chegam, são efémeros  – interrompeu o Armando Rock and Rol – o seu nome deve ficar imortalizado numa placa numa rua ou praça da cidade”.
O Virgílio de Barrô observou com gravidade: “Boa ideia, eu até me estou a lembrar que há no Rio de Janeiro  uma praça que se chama Praça Tiradentes, também de homenagem a um dentista, um tal Joaquim José Xavier, que era revolucionário e republicano!”.
“Eu não gosto desse nome, porque ele não é só tirador de dentes – interrompeu o Mar e Sal – é também tratador e professor! Vamos propor ao Clube da Venda Nova que dê o nome a uma Praça que tenha alguma coisa a ver com as Barreiras, lugar que ele celebrizou! Se disser só Tiradentes, ninguém sabe de quem se trata, tem que ser com o nome completo”.

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