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Opinião Própria: Saibamos analisar o tempo da ilusão

por Almeida Roque (Comendador) em Maio 14,2014

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Das muitas versões, mais ou menos filosóficas, sobre origem dos sonhos, nenhuma delas nos convence, embora pensemos  que as preocupações parecem ser uma das suas origens e até existem, dizem, os sonâmbulos, que praticam, a dormir, muitos dos actos de quem está acordado.
Motivado por qualquer destas ou outras versões, sonhei que, num grande barco de guerra, em manobras no mar alto e revolto, os marinheiros incautos, ou de mais ou menos boa fé, tinham sido subrepticiamente aliciados, para a formação de  duas  facções.
Uma, que estava do lado do comandante e do imediato e, outra, do lado do contra-almirante,  que seguia a bordo e também ambicionava o comando superior.
n DESORDEM: Os ânimos foram aquecendo e, de discussão em discussão, numa tarde de calor abrasador, palavra puxa palavra, embora sem armas de fogo, mas em renhidas lutas corpo a corpo, que o comandante e os oficiais superiores fizeram por ignorar, e, dentro de pouco tempo, o tejadilho do navio era palco da desordem, com a agravante de, como tantas vezes acontece, da bonança emergir uma enorme tempestade que, com esta confusão, impedia a utilização dos procedimentos normais e o barco corria o risco de se afundar.
Quis, entretanto, o destino, a quem muitos chamam sorte, que um helicóptero de outro navio, também em manobras, observasse o que se estava a passar e, de imediato, o seu comandante fez descer sobre o navio em motim um arrojado oficial, que logo accionou o silvo anunciador de naufrágio eminente!
Como é normal, o sentido de desgraça próxima fez, instintivamente, regressar a calma e humildade aos desordeiros.
Sem perda de tempo, o intruso trazido pelo destino, para bem de todos, fez sentir, com eloquente veemência, os perigos que tinham provocado, pondo em risco as suas vidas, a disciplina militar e a perda do navio.
Entretanto, o mar, como por encanto, tinha acalmado e aquela tempestade transformou-se, em bonança e trouxe, a todos, o sentido de perigo e a renúncia à luta, para dar o lugar à paz e solidariedade, que são  ponte de passagem para a verdadeira justiça.
n EXEMPLO:  Este sonho é mais ou menos uma imagem do que se tem passado na Assembleia da República, com actos e palavras imorais.
O intruso (imagem) tinha de ser alguém a quem o sentido do dever deu coragem para enfrentar os insubordinados.
Parece ser esta a altura de explicitar que esta descrição é uma equação para exemplificar o que se passa na AR, com  uma facção de  marinheiros ao lado do comandante e imediato (Governo) e, a outra, a oposição e o barco,  representa o País.
Uma prevenção: não se pretende elaborar uma sentença, mas trazer à luz da discussão, com a isenção e sentido de justiça, que  é cuidado cimeiro da  vida do autor, o que se passa na AR e que ele pensa ser o corolário de quatro dezenas de anos de Democracia mascarada!
A verdadeira democracia exige, dos seus intervenientes, a prática correcta da dignidade,  perfeito sentido da Justiça e o apego constante à solidariedade!
Diz-se que, antes destes 40 anos, se vivia em ditadura, o que pressupõe que tínhamos de fazer a escola da democracia. Escola  que será  tanto mais proveitosa, quanto mais aberta for e mais alunos ensinar.  Para tal fim, nenhum local seria, ou será, mais eficiente do que o “palco” (Assembleia da República) que, através dos meios de comunicação, traz aos nossos olhos e sentidos, o mais pequeno pormenor. Mas aquilo que vemos e ouvimos não é Democracia mas a sua negação.
n INSULTOS: A maioria dos deputados insulta-se mutuamente e aí parece não haver dúvidas, a oposição é raínha.
E enquanto tudo isto decorre, o País, como o barco da fábula, afunda-se, com culpas diferentes mas bem evidentes, de quase todos os “marinheiros”.
O governo, chefiado por um Homem de rara inteligência e o perfil de gente séria, defraudou o país, porque lhe prometeu as reformas indispensáveis para o seu provir, mas delas se esqueceu quase por completo, preferindo optar pelo mais fácil, sobrecarregando o Povo e as actividades que sustentam a vida económica, com impostos inimagináveis e cerceando direitos que feriram a Justiça!
Poderá desculpar-se com a pesada e vergonhosa situação de insolvência herdada e o cumprimento de metas impostas pelos credores, mas esqueceu as reformas e nem explicou ao País a razão, ou razões, da sua gravíssima falta de respeito, nem teve o pudor de gente séria, com o desregramento à vista de todos nós, dos elevados gastos estatais, por onde devia ter começado a poupança, e nem levemente lhes tocou. Os muitos e luxuosos automóveis e chorudos  contratos de todos conhecidos, com amigos e afilhados, são exemplos eloquentes.
n SOCIALISTAS: Nesta situação, a actuação do PS (ou os seus chefes) deu ajuda maior ao desastre, como, aliás, vem fazendo há 40 anos, às vezes também de braço dado com o PSD.
Jamais podemos esquecer que a Constituição que nos legaram foi imposta por toda a Esquerda e pelo PSD, aos deputados, por dois dias de sequestro, e tiveram o desplante de querer fazer dela, e fizeram, em alguns preceitos, um axioma imutável à evolução dos tempos e, sem a sua adaptação às realidades, Portugal será um País sem futuro!!!
Depois deste amplo “rol” de verdades, que a história deformada não contará, mas conto eu, que estava lá e felizmente ainda estou cá,  como no barco da fábula, agora também aos marinheiros da política, o Povo Português tem o direito de exigir um tempo de reconsideração, pois se o PS formar o próximo Governo, para cumprir as promessas que vem fazendo, irá endividar ainda mais o País, o que  poderá fazer, porque a lei lhe permite essa perniciosa actuação e agravará, trágica e inexoravelmente, o futuro dos Portugueses.
Ninguém digno se atreverá a afirmar esta certeza, mas ela tem 99% de probabilidades. E quem escreveu, há mais de 30 anos, o que se está a passar agora, tem infelizmente os tais 99% de probabilidades de não voltar a falhar, ao afirmar estas previsões.
n SACRIFÍCIOS: Da varanda sobre o abismo, que nitidamente se desenha, em nome da grande maioria do Povo Português, onde está a nossa origem e vivência, corroboramos o pedido do Senhor Presidente da República ao PS para que, agindo com grandeza de inteligência e generosidade, ajude a salvar os Portugueses de dezenas de anos de enormes sacrifícios!
E se o não fizer, constituir-se-à um réprobo da Sociedade! É um modesto praticante do verdadeiro Socialismo que, em nome da voz do genuíno Povo que a não tem, pede, como no navio da fábula: façamos um tempo de paz e salvemos Portugal.
O arrependimento será sempre a maior redenção do pecador!!!  
n  ALMEIDA ROQUE


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