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Não é difícil decifrar a quem convém tal fantasia

por Almeida Roque (Comendador) em Abril 29,2014

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Qual seria mais útil: comemorar o 25 de Abril com a cegueira das conveniências e oportunismo ou analisá-lo com a dignidade do amor, solidariedade e justiça, sem pruridos de salvadores, mas com o sentido da franqueza e pureza de objectivos?
Não será ofensa para o povo, que o 25 A diz defender, gastar tanto dinheiro em centenas de festas de aniversário ou, em alternativa, pararmos para analisar a verdadeira situação do País, com uma dívida astronómica, que até limita a sua soberania, colocando-o acima dos egoísmos ou conveniências, e tudo fazermos para que a dignidade imponha a sua lei, tentando formular os consensos mais convenientes, para nos livrarmos desta humilhante situação?
Não seria melhor, de olhos e sentidos objectivados para a verdade, justiça e solidariedade, analisarmos a nossa vida pública e as suas chagas económicas e morais, pensando que há doenças em que um dia é fundamental para a sua cura, mas têm de esperar vários meses por uma adequada consulta médica?
Não será vexante, para todos nós, que um canceroso espere meses para ser operado?
Eu começo por responder à primeira interrogação com várias (interrogações), que ponho à consideração, dos democratas do meu País:
Que noção de direitos e deveres terá levado a segunda figura da nossa hierarquia politica para, como Egas Moniz, se dirigir a um dos capitães que mais saudade parece ter do poder e, que tem ofendido a democracia, com constantes ameaças, para lhe apresentar desculpas. De quê?
Será com atitudes destas que se prestigia o cargo e a Democracia  ou quererá a Senhora Presidente lembrar aos Portugueses, que ainda temos necessidade de vivermos sob égide protectora de vários Conselhos da Revolução?  
E no tempo em que tanto se fala de austeridade, será legítimo que os Municípios em compita, gastem em festas, foguetes, etc., o suficiente para fazer felizes tantos doentes que não podem comprar medicamentos, de cujos, dependem as suas vidas?
Não seria mais útil que os partidos trocassem os tempos gastos nestas festas, por reuniões, nas quais colocassem os interesses da sociedade acima dos seus, tentando analisar, com dignidade e à luz da experiência, o que de bom se passou antes e depois do 25 de Abril, sem a leviandade de fazer acreditar que no passado tudo era mau e que, agora, é tudo perfeito, eterno, e sem os fatalismos de ser obra humana?
E se, sem pré-conceitos, juntássemos o que era bom no passado, ao que de melhor se criou nos últimos 40 anos?
Ou será mais útil dizer mal de tudo o que existia e adular cegamente, ou por conveniência, tudo o que se fez nas últimas quatro dezenas de anos?
Serão todas estas interrogações uma utopia?
Por mim, respondo sem hesitação, que serão as fórmulas enunciadas a maneira correcta para a existência da democracia, e que, sem as respostas a estas interrogações, não será possível que ela exista, realmente.
Para tal fim, é preciso havera amor, dignidade e solidariedade!
Dir-me-ão que esses predicados são raros, ou não existem. Mas eu afirmo que, sem eles, não haverá democracia e que a actual é um sofisma, para manter os grupos que se servem dela e a gritam, para conseguirem manter o povo enclausurado, numa PRISÃO SEM GRADES.  
Se alguém entender que  esta constatação não é uma claríssima verdade, que tenha a dignidade de explicitar as suas razões, porque tudo o que vimos dizendo, ou escrevendo, é pensado à luz de três parâmetros: verdade, amor e justiça.
Termino com uma constatação:  Sua Exª. o Senhor Presidente da República, no seu discurso do dia 25A, afirmou e com verdade, que a vida dos Portugueses é hoje incomparavelmente melhor do que há 40 anos e que isso se devia àquela Revolução.
Peço desculpa a Sua Exª.  mas, como laureado professor de economia que é, tinha obrigação de saber que os vários factores que contribuíram para essa melhoria, não devem incluir essa situação pois, nesse aspecto, não foi relevante a sua acção e até teve algo de negativo, como as greves constantes, com objectivos nitidamente políticos, e a anarquia instalada em quase todas as actividades, inclusive a saúde que levaram vários anos a modificar algumas situações, enquanto outras ainda perduram, como orientações da Constituição que, enquanto não forem modificadas, não nos permitirão regalias como o nosso SERVIÇO NACIONAL DE SAÚDE e outros que, à luz da solidariedade, são indispensáveis!
Sua Exª. vai certamente desculpar-me que diga:
A nossa hiperbólica riqueza, e consequente melhoria de nível de vida, teve três motivos principais:
1º. - O extraordinário avanço das tecnologias, que vieram aumentar extraordinariamente a produção em todas as actividades e, genericamente, tanto contribuíram para  os povos multiplicarem a sua riqueza.
2º. -  As centenas de milhares de milhões que a Europa, colocou à disposição da nossa economia, exactamente para nos ajudar a viver melhor e criar as infra-estruturas que não tínhamos.
3º. - Como tanto desse dinheiro foi malbaratado, começámos a viver do crédito, até se esgotarem as normais formas de financiamento e nos negarem mais empréstimos.
Já à beira da bancarrota, hipotecámos a soberania do país, que hoje está a braços com uma dívida externa de tal grandeza que atingirá cerca de três vezes o valor da nossa produção anual (PIB) durante três anos.
Foram estas razões e não o 25A, que realizaram a nossa temporal riqueza e acreditamos isto ser tão inequívoco que Sua Excelência perdoará o reparo.
n ALMEIDA ROQUE


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