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Clube da Venda Nova: Cidadãos, querem-nos tirar o hospital!

por Redacção Soberania em Abril 09,2014

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Ao som dos acordes das bandas, a Procissão dos Passos aproximou-se do largo para o sermão do encontro.
O Joaquim da Trigal comerciante perspicaz, aproveitou e montou uma banca à porta a vender cavacas, regueifas e suspiros. O Acácio Queirós do Vale que vinha na procissão com uma opa preta da irmandade, a empunhar um lampião, chegou cansado, comprou uma cavaca e foi ao Zé do Candeeiro molhar a cavaca com um verdasco de Belazaima.
Como o sermão do encontro foi curto, porque o padre era novo, não conhecia os costumes e não sabia como havia de pôr as pessoas a chorar, a cerimónia acabou cedo e o Gil Pedalais que veio na procissão do lado de Paredes, aproveitou a presença da multidão, foi à varanda e disse ao microfone, com ar tribunício:
“Cidadãos, querem-nos tirar o hospital! Querem  que os de  Águeda morram pelo caminho se lhes der algum achaque, alguma patologia psíquica ou física, grave ou muito grave!”.
“É verdade, é uma vergonha, temos que reagir”, gritou, com veemência, o Egberto das Canas,  do meio da turba.
“O hospital – continuou o Pedalais - não são só quatro paredes com uma porta, mas sim o que se faz lá dentro para tratar das pessoas...”.
“Mas olhe que já nos levaram quase todas as valências, designadamente a otorrino, a pneumologia, a obstetrícia, as mulheres têm que ir a correr para Aveiro...”,  atalhou o Dr. João Paulo Cordeiro Velho, que estava  a mastigar um fusi.
“Pois é, mas não nos podem levar tudo – continuou o Pedalais – já tentámos o diálogo com o poder e não nos ouvem, fomos lá suplicantes com uma proposta magnânima, mas mal virámos as costas votaram logo contra...”.
“Se eles votassem a favor de todas as moções, petições e abaixo-assinados por terem encerrado urgências, centros de saúde, médicos de família, para não falar de tribunais, escolas, CTT, etc, pelas minhas contas, tínhamos que pedir outro resgate”, disse o Dr. Alberto Marquês a desapertar os alamares da opa.
“Seja como for, e isto não tem nada a ver com eleições, vamos marcar já uma data para uma marcha ordeira e pacífica até ao hospital, mas ruidosa, só até ao jardim, para não incomodar os doentes”. continuou o Gil Pedalais – ”as mulheres vão à frente em duas alas a bater em panelas e tachos com colheres de pau e os homens atrás, a tocar em cornetas de plástico”.
“Mas tem que chamar as televisões, se não eles não querem saber da manifestação para nada, porque não se ouve o barulho em Lisboa”,  opinou  o Luis Bastinhos.

*** * ***
Na sede dos Laranjas de Águeda, reuniu o conselho político, doutrinário e deontológico. O presidente Carlos Franquezas, depois das saudações habituais e de todos entoarem o hino, falou:
“Estamos novamente em vésperas de eleições. Tem que haver espírito de união, militância e sinergia”.
“Mas tem havido”, disse o Paulo Roçado da Mata.
“Ai não tem, não!”,  exclamou a Drª. Paula de Barrô – ”temos que fazer uma purga ou expulsão de elementos perturbadores. Por exemplo, perdemos em Aguada de Cima com menos de 40% dos votos...”.
“Que grande cabazada …”,   disse, entre-dentes, o Mar e Sal.
“… E o culpado foi o António Figueirais, que se mostrava indefetivel e mudou-se para o outro lado, apesar do candidato a presidente da nossa lista - sei eu - ser um rapaz com muitas qualidades intelectuais, capacidade de trabalho e bem apessoado!“.
“Não pense em expulsões  - interrompeu o Hilariante Santos – até devíamos estar orgulhosos de termos tantos e tão bons miltantes que até podemos ceder alguns, para dar luzimento a listas de outros...”.

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