A Justiça nem sempre é justa
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Já por algumas ocasiões aqui disse que, entre as minhas lástimas, as que dizem respeito à justiça me tocam particularmente. Justiça tribunalícia, que a justiça social qualquer dia começa a ser assunto para discussão de teólogos... A minha família paterna, em todas as gerações até onde posso informar-me, sempre teve magistrados e - deixem que disso me orgulhe! - dos bons. Meu avô tem até, no Ministério da Justiça, um quadro a óleo que o representa como seu prestigiado Presidente, em determinada época. Ele e tantos outros, que felizmente sempre os houve. O Avô foi, aliás, um dos mais ilustres aguedenses e a sua terra deve-lhe muito do seu desenvolvimento. Como é da natureza desta terra - e de muitas mais, naturalmente - está hoje esquecido e se alguém, em passada autarquia e depois de muito instado por quem ainda tinha memória, lhe deu um nome de rua, foi em local tão fora de jeito, que eu própria ainda não consegui descobri-lo... Dessa minha família, que desceu das faldas da Estrela e se veio a fixar em Águeda no século XVIII, o primeiro, segundo pesquisa minha, foi um “juíz de fora”, que então assim se chamavam os que el-rei nomeava para exercer justiça longe das tentações da terra natal. Tudo isto, para chegar à prescrição dos crimes económicos (BPN, Millenium, BPP, uns já, outros sabe-se lá quando...) que nos proporcionaram uma das fatais facadas que nos conduziram ao estado debilitado que todos (ou quase!...) sabemos. Pessoalmente, não gosto de pagar impostos, taxas, alcavalas várias em favor das matreirices económicas de quem, além dos olhos, pelos vistos tem barriga, e vê-los depois de uns poucos tempos de “jejum” saírem, sabe Deus se para novas incursões, um milhão poupado em custas, só porque a magistratura encarregada de resolver a tempo e horas se distraiu na tarefa. Nesta minha rejeição, acho que haja consenso de grande fatia dos meus compatriotas e é óptimo que consensos já começam a surgir com as assinaturas consensuais, passe a redundância, de 74 personalidades de boa e colectiva vontade... No caso vertente, parece-me vergonhoso o passa-culpas entre magistrados e Banco de Portugal, que, no começo das averiguações, era gerido pelo dr. Victor Constâncio, que não deve ter estado competentemente atento à marosca... Recortei do Expresso, há algum tempo, um artigo do jornalista Henrique Monteiro, que começa assim: “Por algum motivo, o velho Kant colocou a moral na razão prática e a ética na razão pura. Sendo a política uma prática, só pode ser aproximativa em relação aos grandes princípios, mas tem de ater-se à moral, se quiser justa”. Tomo a humilde liberdade de acrescentar à ideia que, para ser justa, tem a justiça de ser eficaz, célere e equitativa. Muitas vezes, falta-lhe tudo isto. Ainda a tempo: às nossas 74 ilustres mas mal emparelhadas figuras do manifesto já aqui falado, vêm juntar-se mais 74 outras figuras estrangeiras! Não há fome que não dê em fartura! Se não der em indigestão, óptimo! n LUÍSA MELLO
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