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Os desesperados

por Luisa (dra) Mello em Maro 14,2014

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A grande estrela do Congresso do PSD foi Marcelo. O Professor tem o dom de nos prender aos sofás, ouvidos afinadinhos para as suas palavras, metáforas, artifícios de uma no cravo outra na ferradura. Por mim, chego a contar-lhe as fungadelas.
Compreendo perfeitamente o afecto e a saudade que explicou terem sido os motores da sua comparência no Congresso. É o que me leva, em fase de fugir de discursos, análises políticas, reuniões à volta de mesas como o diabo da cruz, a espreitar atentamente os mais especiais episódios deste Congresso. Chego aqui ao ponto que mais me tocou: a primeira parte do discurso de Santana Lopes sobre os desesperados deste nosso colectivo social, num momento em que se anuncia já um alívio do peso da "albarda" que nos tem sido imposta pelos nosso credores externos. Não vou agora à raiz - raízes! - deste peso sufocante nem avaliar a maneira como ele tem sido aliviado, até porque o alívio quase não passa ainda dos noticiários. O grande Herói desta história é que já está descortinado e é o povo português. Todo ele, mesmo aquele que toma a liberdade de manifestar nas ruas as suas rejeições. Se alguém lhe trava ímpetos mais devastadores, esse alguém merece o  meu louvor, estando embora nos antípodas das minhas convicções. Cada um tem a sua maneira de amar a Pátria. Santana Lopes demonstrou-o ao compadecer-se frontalmente do desespero de grande parte dos nossos compatriotas. Dos desempregados, principalmente, e da catadupa de aflições com que sobrevivem. Dos doentes, a quem o serviço nacional de saúde parece não incluir.
Frisou: pode-se passar as passas do Algarve para chegar ao tribunal mais próximo, pode-se alvitrar mais, melhor e mais adequada Educação. O que não se pode é negligenciar a saúde, sobretudo a daqueles que já pouco mais têm que os agarre à vida. Haverá maior desespero?!
As criticas e remoques que ouvi ao discurso com o que o Primeiro-Ministro encerrou o Congresso pareceram-me autênticos líbelos à auência de demagogia da sua parte. Tinha dito na véspera que não havia motivos para festejar. Não há, por enquanto. Ainda, espero eu. O que não me parece é que seja com um "governo democrático de esquerda", como ouvi do representante do PPC Passo!

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