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Dos Secos e Molhados às Confrarias

por Redacção Soberania em Maro 05,2014

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É lugar comum, neste país, dizer que as pessoas andam angustiadas e cheias de temores. Para os exorcizar, o melhor é uma boa gargalhada, para libertar as endorfinas. Por isso, cá estamos de novo para agradar a quem gosta e incomodar quem detesta..., se houver espaço.
Na sede da Associação de Secos e Molhados, ainda se festejava a vitória da drª. Olívia Merkle, a primeira mulher que conseguiu o trono, e já os seus seguidores e devotos pretendiam aproveitar o Carnaval para uma marcha triunfal.
“Vamos entrar no corso carnavalesco de Águeda, se o houver, se não houver vamos sozinhos”, disse, com entusiasmo, o dr. Alberto Marquês.
“Já pensei nisso – acrescentou o Castilho das Pompas Fúnebres – enfeita-se um carro alegórico com dignidade, não pode ser um trator roufenho a cheirar a terra, e os da outra lista também podem aderir”.
“Dizemos ao Custódio da Borralha para trazer a caleche puxada por dois cavalos brancos, com as crinas penteadas e enfeitadas, e, no banco almofadado e acolchoada, vai a presidente Olívia Merkle, vestida de Cleópatra, a acenar ao povo, e atrás do carro vão os comerciantes com vestimentas alusivas aos seus negócios”, propôs o Luís da Tenda, com vivacidade.
“Eu posso ir de óculos graduados, vestido de Santa Luzia”,  disse o Arromba Oculista.
O Joaquim da Trigal, que por ali estava, ainda a digerir o resultado das eleições, disse: “Eu não era da vossa lista, mas quero aderir a todas as iniciativas, em prol do comércio local, e por isso também vou vestido de branco, com um saco de farinha às costas e vou convencer o Zé do Candeeiro a ir também de tamancos e com uma capucha serrana a empurrar  um carro de mão com um saco de batatas”.
O Acácio Queirós do Vale encolheu os ombros e disse ao Natas da Sapataria: “Também queria ir, mas não tenho roupa...”.
“Eu não vou – disse o Acácio do Gás – não estou para levar uma botija de gás às costas, vai o Popeline das Fotografias, que representa a rua”.
O Castilho das Pompas Fúnebres concluiu: “Eu posso levar alguns...”.
Ao lembrarem-se da bagageira  do carro do Castilho, pernas para que vos quero, saíram todos porta fora!

*** * ***
Entretanto, o dr. Joaquim Almada, grande defensor e paladino das confrarias gastronómicas, reuniu à volta de um tacho de rojões e entretinhos de um porco ibérico de boa lavra e bem cevado, pessoas de várias vilas, cidades e aldeias. E quando já luzia o fundo do tacho de cobre, disse:
“Convido-vos a acompanhar-me na criação de uma confraria, que se destina à defesa e divulgação desta iguaria”.
“Apoiamos a ideia, só temos é que arranjar um nome que tem que ser distintivo, porque já há a do Nabo, a do Grelo, etc., só falta a do Amendoim com Casca e sem Casca”, disse o Miguel da Bouça.
“Os rojões devem ser sempre acompanhados com batata cozida e grelos – acrescentou  o Joaquim Almada – então podemos chamar-lhe a Confraria do Rojão com Batatas e Grelos”.
“Não pode ser  - disse o Joel da Garruça – porque dá ideia que são rojões com batatas com grelo e ninguém come o grelo às batatas. E devem ser batatas com racha”.
“Os grelos não são das batatas, são dos rojões“, explicou o Joaquim Almada.
“Também temos que pensar nas vestes, nas insígnias e no escapulário, na cor e no corte do balandrau ou gabão”, lembrou o Gil Aberto Rosa.
“Só peço – disse a drª. Ivone Almada – que não mandem fazer nada sem eu trazer as fotografias dos diversos gabões que lá temos, das muitas confrarias a que ele pertence! Tem que ser diferente, se não ainda vai aparecer no Capítulo da Confraria da Castanha com um gabão da dos Enófilos ou desta nova que se chamará Confraria dos Rojões da Bairrada, do Grelo e da Batata à Racha”.

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