Ao correr da pena…
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No antigamente, o comum das pessoas não dadas a requintes literários e originalidades, começava assim as suas missivas: “Espero que ao fazer desta te vá encontrar de saúde, assim como a todos os teus que nós por cá todos bem graças a Deus”. Era simpático e abrangente. Foi um castigo para convencer os meus alunos de Português (aos quais se tinha de ensinar então a escrever uma carta, coisa de que as electrónicas nos livraram!), foi um castigo, dizia, convencer turmas e turmas a deixar o estafado preâmbulo, enveredando por algo menos antigo. Ironicamente, se alguma vez me dispusesse aos recados modernaços teriam de ser eles a ensinar-me, cheínhos de paciência, a “escrever” à base de Ks, qs, yas, coraçõezinhos e etc., etc. Espero manter a lucidez até ao fim da minha vida! n NOVO ANO: Passado este ilustrativo preâmbulo, aproveito para voltar à velha fórmula, desejando a todos, “ao fazer desta”, que o novo ano nos venha mais aliviado de preocupações e sobretudo com saúde e paz. A esperança é a última a morrer. Engraçado como uma pessimista com tendência a núvens negras se tenha transformado em optimista moderada, seguidora da velha norma que “depois da tempestade vem a bonança”-não a “ambulância”, como já por duas ou três vezes ouvi dizer. Deve ser porque nunca me esqueço de tomar as gotas todas as manhãs!… n MANDELA: Brincamos?! Não. Tenho coisas sérias para divagar. A morte desse Gigante de Humanidade e Tolerância que foi Mandela fez-me acabar o ano num grande vazio. Pessoas assim não vêm ao mundo se não por muito abençoados presentes do destino de todos os seus contemporâneos. Tinha (tenho!) por Mandela uma ilimitada admiração. Alguém que, perdoando, se volta para a paz e não para a violência, que sabe envelhecer não envinagrado mas tolerante, que se proclama capitão da sua alma mantendo essa alma livre dos grilhões de vinganças e retaliações, esse alguém não é deste mundo! (Como costumo dizer de Francisco, o Papa, é bom demais para ser verdade!). Curvo-me com um respeito imenso perante a sua memória! n CONSTITUCIONAL: Como diz a maioria (?…) dos homens que “com as mulheres não podemos viver; sem elas, também não!”, digo eu do Tribunal Constitucional. Se é que me entendem. Isto começa a parecer o jogo do gato e do rato… Não pode ser assim? Vai de outra maneira! Também não pode? Há-de haver por onde poder! Até eu, a quem o dito Tribunal tem beneficiado, começo a ficar farta. Por mais os cinco meses que faltam para ver a Troika pelas costas (que não será o mesmo que vê-los “afogados” ali no Cais das Colunas: a coisa meteu mais água que todo o estuário do Tejo!…), mais vale olhar com mais resignação para o cálice das amarguras que tanto nos tem envinagrado vida e convivências. Tirem-nos lá o adesivo da ferida de uma vez só e não os bocadinhos! Como sempre ouvi dizer, “o rei manda marchar, não manda chover!” n LIXO: Para que nada me fique a remoer: o lixo em Lisboa durante (ou por causa…) as festas natalícias. Passei esse momento na capital e só tenho um comentário para a circunstância: VERGONHA!! Não se faz, ou faz-se de outra maneira! Ouvi por lá o comentário de um casal de idosos, a que um jornalista televisivo perguntava, junto de uma montanha de porcaria onde até ratos se regalavam, se tal espectáculo os não incomodava. Que não! O lixo estava todo no Governo… A dupla dr. Semedo/Catarina não diriam melhor! Por mim, é bem verdade que “cada um sabe de si e Deus sabe de todos” ou que “para cada gosto seu paladar”. Melhor ainda: cheira bem, cheira a Lisboa! n LUÍSA MELLO 2-1-14
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