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O incêndio, a cheia e a política local

por José Neves em Janeiro 15,2014

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No verão, arde a serra e,  nos invernos mais picados, as águas do rio galgam as margens, inundam a várzea, a rua de baixo da cidade fecha portas e o largo do velho Zip-Zip volta a ser palco dos directos das televisões, sacudindo, aí, a política local a água do capote, quanto a eventuais responsabilidades suas, mas endereçando-as, quase sempre, lá para bem longe, para o Terreiro do Paço de Lisboa e suas instituições!
Ora se na serra é o que se viu, ainda este verão, com a tragédia a bater à porta do concelho e a entrar violentamente na martirizada e (ostracizada) freguesia de Agadão, já as obras do rio, em pleno coração da cidade, coincidentes com a campanha eleitoral autárquica e em véspera do inverno, faziam prever e temer o pior, se as chuvas e o temporal viessem em abundância, o que veio a acontecer.
Mas se seria oportuno, agora que a paz voltou à serra, analisar com serenidade o último incêndio, os meios envolvidos e até eventuais erros quanto à sua coordenação e estratégia no seu combate, também as obras no nosso rio - tão propagandeadas, já lá vão quase dez anos -  justificariam uma discussão aprofundada acerca da sua calendarização, sequência e tempos de execução!
E fazê-lo, necessariamente,  de forma despartidirizada, sem rancores ou falsas modéstias, por forma a que os aguedenses, e quem por cá passa, percebessem e acreditassem que as obras municipais e do Estado, tem entre nós um fio condutor, um princípio, um meio e um fim.
Caso contrário, e se continuar este visível desnorte nas empreitadas das obras, no entendimento tão necessário entre as entidades a que estão legalmente ligadas, vamos ter “obras de Mafra” por muitos e sofridos anos, com custos gravemente acrescidos e uma imagem de um poder local a ficar mal, e muito mal, na fotografia!
Oxalá 2014 seja um ano novo nos procedimentos e práticas políticas da acção pública da Praça do Município, corrigindo, sem receio, o que não está bem e abrindo um outro caminho de eficácia e celeridade nas obras de todos nós!
Porque só assim Águeda terá, no curto prazo, uma sala de visitas à altura da nobreza que a cidade e o seu povo bem merecem!
Não é, Beatriz?  - JNS


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