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Ranking das Escolas

por Francisco Vitorino em Novembro 27,2013

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A posição das escolas do concelho de Águeda no ranking nacional foi objecto de notícia de primeira página nesse Jornal, no passado dia 20 de Novembro. Muito embora, nos últimos anos, muito se tenha dito e escrito sobre a importância, a natureza e os efeitos da publicação de rankings de escolas, personalidades há, em particular aquelas que têm responsabilidade na veiculação objetiva da informação, que continuam a prestar um mau serviço à comunidade intoxicando a opinião pública com visões deliberadamente enviesadas e simplistas do problema, cujas motivações são, por vezes, demasiado evidentes para que não se tome posição sobre elas. Sabemos que os Rankings não devem ser sobrevalorizados pela simples razão de se basearem exclusivamente em resultados de exames; sabemos igualmente que os devemos considerar uma peça de informação útil para que as escolas se possam autorregular em relação a um determinado campo de visão; sabemos também que existe quem insista em comparar o que é incomparável, sobrevalorizando apenas um dos ângulos do problema e ocultando (deliberadamente) os muitos olhares possíveis sobre ele. Não se questionam critérios editoriais, mas pode questionar-se as motivações que lhes estão subjacentes, não por aquilo que é dito, mas sobretudo por aquilo que é omitido. Atente-se no seguinte:
1.A hipervalorização dos rankings conduz, inevitavelmente, à simplificação do conceito de sucesso (= resultados dos exames). Implícito, subjaz o “efeito escola” como único fator de sucesso. Os rankings apenas mostram a qualidade dos alunos que realizam os exames, não a dinâmica e o mérito das escolas.
2.Os rankings, embora se saiba que valem o que valem, acabam por ser, na prática, e de forma redutora, considerados indicadores da qualidade ou da eficácia das escolas, com todas as consequências daí decorrentes, nomeadamente o facto de acabarem por funcionar como auxiliares de decisão para alunos, pais, escolas e ministério. Parece-nos, portanto, que a informação a prestar aos cidadãos deve ser cuidadosa e esclarecida não se limitando apenas a um olhar indiciador de uma única perspetiva que certamente condiciona, ainda que inconscientemente, decisões futuras.
3.Uma das inconsistências que sistematicamente se pratica prende-se com a comparação público-privada, facto que se tem assumido como um dos cavalos de batalha da corrente de opinião que se apoia nos rankings para exigir a transferência de verbas astronómicas para os colégios privados e, desse modo, esvaziar e degradar a imagem da escola pública. Pelo meio, esquece-se, por exemplo, a importância e evolução da diferença entre classificações internas e de exame, a correlação entre a média obtida nos exames e o valor esperado para o contexto socioeconómico dos alunos, podendo ainda discutir-se a eventual influência do número de provas nos resultados obtidos por uma escola.
4.A escola eficaz promove o êxito educacional dos alunos e reduz as diferenças existentes entre eles, procurando conduzir o maior número ao mais alto nível das suas capacidades. Aqui, o próprio conceito de resultado é muito mais complexo do que as classificações nos exames. As escolas eficazes e as escolas de qualidade estão muito ligadas ao conceito de desenvolvimento dos alunos, que se mede pelos resultados académicos e pelos resultados sociais, como as expectativas positivas, as atitudes face à escola e à aprendizagem, a sociabilidade e a capacidade de trabalhar em grupo, o espírito de iniciativa, a capacidade de tomar decisões e aquisição de valores relacionados com o espírito de cidadania, de liberdade e de respeito pela diferença.
5.Tivesse o jornalista querido fazê-lo e teria sido possível informar os leitores que:
A Escola Secundária Marques de Castilho, embora esteja em 2º lugar no ranking concelhio, ao nível do ensino secundário, foi a única que ficou acima do valor esperado para o contexto socioeconómico dos seus alunos (média obtida 9,05 e valor esperado 9,04 – Ranking Jornal “Publico”).
A Escola Secundária Marques de Castilho ficou em 1º lugar entre as escolas públicas do concelho, no 9º ano, tendo o resultado superado significativamente o valor esperado (média obtida 2,81 e valor esperado 2,62).
À exceção do ensino secundário, são as escolas do Agrupamento de Escolas Águeda Sul, cuja sede é a Escola Marques de Castilho, que lideram o ranking concelhio ou que estão entre as 10 primeiras ao nível do distrito. Veja-se, por exemplo, os resultados obtidos no 4º ano pela EB1 de Paradela e no 2º ciclo pelas EB 2/3 de Aguada de Cima e de Fermentelos;
Os Jornais “Expresso” e “Público”, jornais de referência a este nível, pelo esforço que têm desenvolvido para dar aos rankings alguma contextualização, colocam a ES Marques de Castilho em 310º lugar a nível nacional, com um resultado acima da média à maioria das disciplinas de exame. Porque razão, sem qualquer explicação sobre o critério editorial seguido, se optou por um ranking que a coloca em 391? Parece pouco importante, de facto. Mas, porque razão se procurou o ranking mais desfavorável para umas escolas e o mais favorável para outras? Provavelmente, se tivesse havido a preocupação de explicar aos leitores quais os critérios que presidiram a esta ou àquela opção, ou ainda prestar determinado tipo de informações adicionais, tal teria contribuído para um maior e mais completo esclarecimento dos cidadãos, prestando assim um melhor serviço à comunidade.
Em suma, uma boa escola é essencialmente aquela que é capaz de acrescentar valor aos seus alunos, ir para além do que seria esperado que fizesse, e não tanto colher os louros do potencial intrínseco que aqueles já possuem. Felizmente para os alunos, para os pais para os professores e para o país que o ranking das escolas é apenas uma dimensão no processo educativo. A educação é muito mais ampla. A educação é, sobretudo, a vida e é para a vida.
n FRANCISCO VITORINO
(Director do Agrupamento de Escolas Águeda Sul)

NR: SP, no que Francisco Vitorino fala, limitou-se a referir dados do ranking. As escolas de Águeda, todas, merecem-nos igual respeito
e tratamento.

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