Crenças e Convicções
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É uma pequena história de simplicidade, convicção ou de fé que desejo escrever. Isto por meu dever deixar exarado em letras bem gordas, um momento singelo, episódico, mas de intensidade incomensurável quando nós, os humanos, nos esforçamos por conhecer-lhe o alcance devido. Em duas linhas e com meia dúzia de palavras, conta-se o caso que procuro tornar público, numa homenagem que perdure, sobre uma pessoa cuja vida, para mim, foi exemplo de desprendimento, de abnegação, de entrega no “pouco” ao seu alcance, na prontidão em pôr de parte apegos pessoais ou familiares, quando confrontados com a doação às causas dos outros, sobretudo crianças e de Deus. Este, sobre todas as coisas. Este Deus, única riqueza a tentar-se armazenar, durante uma vida terrena, para O encontrar na plena Graça daqueles bens de glória que não estarão sujeitos ao roubo nem à corrupção. Convicções alicerçadas, certamente, numa família anterior, preocupada no cultivo da horta dos valores vitais de respeito e dignidade e, sobremaneira, da noção aprofundada sobre a presença e acção de Deus diante das necessidades e problemas comuns a todas as pessoas. Então… Aquela senhora, (dispenso-me de dizer o nome), não muito alta nem muito baixa, magra na sua compleição física, de olhar doce, palavras ternas, um leve sorriso como testemunha duma vida sofrida e sofredora, de esperança em algo mais além estampada no silêncio da sua figura, foi abordada por uma sua discípula de catequese. A criança, com grande ternura e candura, diz-lhe: “Senhora (…), tenho estes cravos (verrugas na pele) nas mãos e minha mãe vai roubar cravos (flores) e oferecer ao S. Geraldo para ele mos tirar”. Preocupada com a crença menos correcta daquela menina, já influenciada pela “negociata” familiar, a senhora indicou-lhe outra via diferente, aconselhando onde e a quem deveria recorrer com uma certeza mais segura e cristã. Então adiantou: “Vai, mas é, dá-los ao Espírito Santo e reza-lhe muito porque só Ele te vai livrar desses cravos”. O que dissesse a catequista era uma “escritura” para aquela criança, pelo quanto acreditava nela. Por isso, foi para casa falar com os seus e fazer o que lhe havia sido recomendado. Começou, agora para a catequista, o drama da consciência. E se o Espírito Santo não estivesse disposto a cumprir uma promessa que não era Sua?! Apontar uma solução que nem ela devia ter afirmado tornou-se uma preocupação grave e inquietante. Em sua casa, passou as horas seguintes numa intranquilidade de morte. Tinha posto naquela alma infantil uma certeza que, a ser gorada, traria o descrédito para a sua catequese, em tempos futuros. Disse não ter pregado olho, durante toda essa noite. Rezou ela mesma, a catequista, com intensidade ao Divino Espírito para que lhe concedesse readquirir a tranquilidade, segura para si e para a criança. Então, o interessante aconteceu. Passados dois ou três dias, quando havia já esquecido as coisas, a menina, radiante, apresentou-se à catequista e disparou: “Senhora (…), veja, já não tenho os cravos nas mãos. Fiz como me disse e eles foram embora”. Pasmou a catequista, agradeceu ao Espírito Santo, fundamentou mais a sua fé e a coragem do seu testemunho de vida. As obras coincidentes do acaso ou os estados psicológicos livres serão, muitas vezes, caminhos dos quais Deus Se pode servir para mostrar a nós, humanos e mortais, que o dom da fé não pode nem deve sofrer os desvios para crenças fantasiosas. n Manuel Armando
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