O soneto foi bom, a emenda nem por isso!
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Sentei-me comodamente no sofá, armada daquela santa paciência que já me vai sendo precisa para ouvir os políticos. De princípio, gostei. Foi a explicação, que poderia ser entendida e até aplaudida, por qualquer garoto de 6 anos, mesmo com um ligeiro atraso mental: eleições antecipadas ser-nos-iam agora tão benéficas como o foi, para os seus armadores, o naufrágio do Titanic. Bem exposto, só não o entendeu quem é ainda mais obstinado que a Joana da canção infantil "Come a papa, Joana, come a papa!". Ia pensando: até que enfim, que diacho está a fazer o discurso da vida dele! Se calhar, até fez!… Que "ganda tirada" foi a segunda parte! Do género professoral, à moda antiga, acabou-se o recreio, canalha! Já para dentro da sala de aula, que se acabou o recreio! (Peço excusa do termo canalha, que não tem aqui sentido pejorativo, apenas aquele que, dantes, os adultos aplicavam aos agora designados putos). Pois então, vamos lá ser todos amiguinhos e deixar as caneladas e as bocas foleiras de vez. A bem da Nação, toca a comer a papa em salutar convivência e entendimento. E foi aqui que o entendimento me começou a falhar. Dadas as coisas que estão, pareceu-me aquele jogo das sombras chinesas, em que as habilidades de dedos, feitas em ambiente de luz propícia, projectam na parede figuras que não têem correspondência com a realidade. Uma espécie do mito platónico da caverna. Até poderia ser uma solução para esta indisciplinada turma portuguesa se: 1)-Passos Coelho conseguisse ter tido mão no seu parceiro de coligação, nomeadamente no "rasputine" do seu chefe. - 2)-Portas tivesse, à beira das últimas negociações com os nossos credores externos, resistido a dar um tiro no bote salva vidas. - 3)-O dr. Seguro não tivesse sido apanhado pela amnésia sobre o passado do seu partido e os seus camaradas não fossem resistentes à engorgitação de papinhas, preferindo-lhes sofregamente bombons "mon chéri", bolos solidamente enformados, pudins "À Chef" e provavelmente até aquelas deliciosas argolinhas de balcão de pastelaria chamadas glórias. Sentar-se à mesa, sim, mas só com os amigos (e eles já voltaram todos à tona!…), na cabeceira, e com uma vela por cima de cada iguaria exposta. Papinhas são para crianças e para tolos… Ora sendo assim, a segunda metade do discurso do Presidente torna-se virtual. Ouvi o dr. Catroga, em entrevista à Antena 1, usar da seguinte metáfora, e esta não é gastronómica, é mais séria porque fala das nossas vidas: "Portugal teve um acidente cardiovascular na sua economia e temos nove meses para o recperar". Só que - e agora retomo a palavra - o PS teve tudo a ver com a trombose e não quer agora participar na fisioterapia. Está a rabiar (termo de Catroga), esquecido conveniente das várias pançadas que levaram o país ao AVC. Empancou, ofendido por não ter sido chamado à mesa mais cedo. Quer e não quer. Pretende a companhia dos seus apêndices mais à esquerda, os tais que se recusaram, patearam, xingaram as negociações com o exterior que o próprio PS (obrigatoriamente!) iniciou. Sempre ouvi que "quem não gosta, põe na beira do prato. Deixe-os lá na beira do prato! A não ser que perfilhe aquele episódio sucedido numa Cruzada aos Albigenses. Diz um combatente ao chefe-mor do empreendimento: "Temos aqui um grande problema: a população refugiou-se toda na Catedral! Como distinguir os crentes?!". Resposta pronta: "Matai-os todos, que Deus distinguirá os seus!". Pois. n LUISA MELO 2013-7-1
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