A quem se deve atribuir a responsabilidade da situação em que nos encontramos?
Não é que o seu apuramento ajude a resolver o enorme problema que nos criaram, mas… olhar com serenidade e justeza para alguns contornos desta “desgraça”, poder-nos-á ajudar a compreender as constantes “sacudidelas de água do capote” a que alguns bem-falantes vão deitando mão, com frequência.
É sabido que o governo do engº. Sócrates não deixou o país em bons lençóis, claro que não. Mas como é que ele o recebeu? Com os cofres cheios e as contas todas em dia? Claro que não, também. Então, porque razão tantas vezes é acusado de ser o responsável pela situação em que o país se
encontra?
Só porque o deixou mais endividado do que o encontrou?
E os que lá estão agora? Que mais têm feito, além de acrescentar dívida
e pobreza?
Se pretendessemos justificar parte do despesismo do engº. Sócrates, poderíamos, enfim, evocar um conjunto enorme de obras realizadas, quer no campo da saúde, quer na educação e respectiva rede escolar, no apoio à terceira idade, na erradicação da pobreza, no apoio às empresas, na investigação e mais um número infinito de situações que foram melhoradas, mas não o vamos fazer.
Apesar dessa realidade, vamos fazer de conta que o engº. Sócrates foi um mau governante. Recebeu um país que era já um pântano (recordam-se o dr. Durão Barroso?), mas deixou-o ainda pior. À beira da bancarrota, como é frequente ouvir-se.
Mesmo assim, os actuais governantes, que só desinvestiram, que nos impuseram austeridade como se de um governo de ocupação se tratasse, acreditamos mesmo que nem no tempo dos “Felipes” fomos tão esmifrados como agora, conseguiram, dizia eu, o “milagre” que o quadro que se segue representa:
Os números não têm partido, não são de esquerda nem de direita, mas a dureza das suas revelações mostra-nos as fraquezas e a incompetência de quem nos governa.
Afinal, para onde foram as receitas do “brutal aumento de impostos”, dos subsídios de férias e de Natal que nos roubaram e de todas as regalias sociais que nos retiraram? Não seria suposto servirem para abater na dívida e para combater o desemprego? Os números revelam também, com enorme clareza, o estado em que eles receberam o país e o estado em que o colocaram, em apenas 2 anos! É caso para dizer que, se em 2011 estávamos em bancarrota, neste momento temos a “banca rota e já sem fundilhos” por onde se possa pegar.
Estes factos servem apenas para dar razão ao velho aforismo: “Atrás de nós virá quem bom de nós fará”.
Que Deus tenha piedade de nós e nos livre deste vespeiro!
Águeda, 10-07-2013 n ORLANDO PEREIRA