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A união faz a força, mas nem sempre

por Padre Manuel Armando em Julho 03,2013

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Nem sempre a união faz a força. Estou convencido disso.
Aduzem-se muitas histórias e alegorias, fábulas e mistificações para demonstrar que, quando vários ou muitos se unem, revolucionam as coisas e o mundo, vencendo batalhas e guerras, ou penetram os mistérios da vida até ao mais profundo dela.
Mas também a experiência contesta, concretamente e com factos, a tal asserção de que todos os indivíduos unidos jamais serão vencidos.
Uma simples pulga é capaz de incomodar muitos. Basta que “mude de carruagem”, isto é, de corpo, para vencer a paciência de quantos não a toparem, em tempo devido.
Qualquer doença única pode dizimar multidões e estas, ainda que unidas, não se defendem.
Mais este exemplo bastante comezinho e corriqueiro, experimentado num cesto, posto a embelezar algum centro na mesa da sala de jantar e, habitualmente, apetrechado com fruta. Por vezes, quando a reserva não é utilizada, que acontece? O mais certo e sabido redundará no apodrecimento de toda a frota desarmada, porquanto não terá havido o cuidado de, detectada a primeira mazela da peça que o bicho tocou e ao mais leve sinal de podridão, alguém a retirar de entre as outras, evitando, assim, a contaminação geral.
Ora aqui, pergunto: se, na verdade, a união faz a força por que não se unem os elementos da fruta razoável e sã para dar caça e coça ao empestado causador de morte e desperdício para os demais? A acontecer uma circunstância dessas, depurar-se-iam os alimentos e a saúde pública agradeceria, de certeza.
Multiplicam-se manifestações de rua, dando nota das centenas ou milhares de apoiantes opositores de políticas e sistemas, mas pouco se conhece dos respectivos resultados exigidos.
Engrossam as aglomerações, mas perdem os mais pobres e nenhuma coisa se melhora. A união enfraqueceu ou fracassou, mesmo, e deu em bancarrota.
Em várias empresas, nalguns lugares cimeiros e na condução do país, infiltram-se indivíduos cheios de boa vontade para trabalhar em prol de condições mais adequadas e justas, no sentido do viver decente de uma sociedade. Todavia, não tarda muito a serem contaminados e a acoitarem--se bem no centro da manada, onde começam a exalar os vapores pestilentos da acomodação, sobretudo quanto já se encontra no estado de adiantada putrefacção.
Bem apregoaram, quando ainda na mó de baixo, a grande promessa, quase certeza, de que tudo seria sanado dentro de pouco tempo, purificando-se ares e estratagemas mais duvidosos.
Esperanças goradas, desilusões em catadupa. Ora, então, auguravam--se melhores dias e grandes grupos sempre lançavam, aos quatro ventos, que, chegados aos lugares e posições almejadas, logo trancariam o sistema em favor de mais e melhor igualdade ou justiça. Mas, afinal, nada conseguiram porque o tal sistema é que imediatamente os anulou e engoliu.
Aí, consciente e gostosamente enganados e vencidos, passaram a ser fruta podre nas suas ideias e decisões.
As convicções, outrora mostradas como sérias, rapidamente se volatilizaram ou foram absorvidas sem retorno. Um só sistema venceu uma multidão.
A certeza de união que iria traçar novos trilhos para a comunidade, ansiosa e carente, não passou de uma ideia voluntariamente fictícia. Assim, a união, como razão da força, enfraquece barbaramente a força da razão.



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