Que foi bonito, isso foi!
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Quando na Faculdade passávamos à Dúvida Metódica de Descartes, pelo menos metade da turma fazia aquela pergunta que à primeira vista até parecia óbvia: "Penso, logo existo?!” Não seria antes: "existo, logo penso”? Sossegavam-se as nossas dúvidas quando o Mestre nos esclarecia que é no pensamento racional que radica a consciência que temos da nossa existência. Lógico. Acabo de ler uma afirmação, expressa há algum tempo pelo Magnífico Reitor da Universidade de Lisboa, dr. Sampaio da Nóvoa, que me “enterneceu” imenso. Veio à lembrança do jornalista que a transcreveu juntando-as a outras proferidas no “patriótico encontro” da mais vera esquerda, na Aula Magna da Universidade de Lisboa, que deve ter posto muito boa gente a babar… Apropriando-se da ideia do matemático e filósofo francês terá dito o senhor: “penso nos outros, logo existo”. Magnífico. Nem Descartes fez tão benemérita deriva na sua teoria. A ideia cartesiana era outra, mais positivista. Pararela à frase do dr. Nóvoa só na Biblia, naquele magnifico mandamento que nos manda amar o próximo como a nós mesmos. Ás vezes, a retórica é fatal… Espero que o ilustre senhor, e a demais assistência que o ouvia, não se apeguem muito aos filósofos, que os há de toda as espécies e espécimes, a começar pelo antiquíssimo e veneradissimo Sócrates, que confessava modestamente “só sei que nada sei”.
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