O que só os iluminados entendem
Noticias Relacionadas
No existem notcias relacionadas a este assunto
Neste país, do qual tanto nos habituamos a gostar, vão acontecendo curiosidades que o normal cidadão tem dificuldade em entender e que mereciam ser melhor explicadas. Deveriam ser-nos explicadas assim… como se nós fossemos todos muito burros. Talvez, desse modo, conseguíssemos lá chegar. Vem isto a propósito do enorme alarde entoado recentemente pelos nossos governantes, pelo facto de terem conseguido colocar no mercado obrigações da dívida pública, a um juro de 5,6%, o que representaria, em sua opinião, uma enorme vitória na orientação da política económica seguida. E não nos parece muito claro que assim seja. Muito em especial quando assistimos a uma contestação permanente de todos os sectores pelo rumo que segue a nossa economia e também dos experts nessa matéria. Não cremos que se possa cantar vitória com um facto que representa, em nosso entender, mais um sintoma da nossa desgraça, pois todos nós sabemos que o país não poderá suportar juros dessa ordem, a menos que continue a endividar-se apenas para pagar só os encargos que se vão acumulando a um ritmo assustador. Com o dinheiro a esse preço e as nossas empresas a serem financiadas a juros na ordem dos 4 e 5%, enquanto as empresas alemãs e de outros países nossos concorrentes têm acesso ao crédito a taxas de 0%, não poderemos nunca ser competitivos, por mais que se desvalorize a mão de obra, que é, aliás, o que se tem vindo a fazer nos últimos dois anos. Desta forma, continuaremos a ter uma economia moribunda e a assistir ao aumento brutal da dívida, que acabará por nos esmagar. Outra questão que há muito “martela” a nossa curiosidade e que, de todo, não conseguimos entender, é o facto do governo proceder à emissão de obrigações da dívida soberana, não acessível aos particulares. Só a Banca pode concorrer ao mercado primário e depois colocá-la no mercado secundário, onde aí sim, já podemos ir à sua procura. Estamos em crer de que este procedimento não passa de mais uma benesse encapotada “aos novos donos do mundo”- a banca – e que representa a total falta de carácter daqueles que foram eleitos para proteger o seu país e o seu povo. Se os governos permitissem aos aforradores nacionais aplicar as suas economias nas obrigações da dívida pública, estariam a financiar-se internamente, sem ter que andar a vender o país ao desbarato ao estrangeiro. Poderiam ainda pagar taxas mais acessíveis e proporcionar melhores rendimentos aos seus cidadãos e todos ficaríamos a ganhar, à excepção da banca, claro. É caso para perguntar: Será este o castigo por nos termos atrevido a gostar de um país que não tem lugar para nós ? Ou será apenas porque o entendimento destes misteriosos acontecimentos só está mesmo ao alcance dos mais iluminados dos nossos políticos? Águeda, 14-06-2013 n ORLANDO PEREIRA
415 vezes lido
|